Portugal soma 146 astronautas por um dia em cinco anos

25 estudantes portugueses e 10 estónios experimentaram a gravidade zero num voo a partir da ilha de Santa Maria, elevando para 146 o número total de jovens portugueses já envolvidos na iniciativa



O voo, operado pelo Airbus A310 da empresa francesa Novespace, aterrou no aeroporto de Santa Maria pelas 12 horas de domingo, para receber depois a bordo 25 estudantes portugueses e a 10 estónios para uma experiência única. 

Durante cerca de duas horas de viagem, a aeronave realizou 15 parábolas, proporcionando aos jovens experimentarem a ausência de peso por cerca de 20 segundos de cada vez, simulando assim as condições sentidas pelos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, que orbita a cerca de 400 quilómetros da Terra.

Criado em 2022, o “Astronauta por um Dia” destina-se a estudantes dos 14 aos 18 anos, replicando o processo de seleção de astronautas através de cinco eliminatórias. Esta edição destacou-se pela cooperação europeia, integrando os finalistas do programa estónio “A Estónia procura um Estronauta” (Eesti otsib Estronauti), criado em 2023 por inspiração direta no modelo português, cuja edição anterior tinha sido realizada em parceria com Luxemburgo. 

Para o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, “a cooperação entre Portugal e a Estónia nesta edição do Astronauta por um Dia mostra que formar talento espacial é uma responsabilidade partilhada na Europa”, referindo em comunicado que ver o projeto replicado noutros países é “a melhor medida de um trabalho bem feito”.

Da parte do Ministério dos Assuntos Económicos da Estónia, o diretor para o espaço e responsável pelo Space Estonia, Paul Liias, considera o projeto como um exemplo de colaboração entre “parceiros europeus de cantos opostos do continente” para motivar a próxima geração de profissionais do setor.

Nos quatro dias que antecederam o voo, os jovens participaram em atividades que incluíram visitas à Reserva Florestal das Fontinhas, às jazidas fósseis da costa e o contacto com a biodiversidade marinha, nomeadamente as jamantas, através do Manta Catalog Açores. Conheceram ainda a infraestrutura tecnológica instalada na ilha, com passagens pelo Teleporto - onde operam as antenas da ESA e da EUMETSAT -, pelo radiotelescópio da RAEGE, que mede os movimentos da Terra, e pelo local onde nascerá o primeiro porto espacial português, apresentado pela Atlantic Space Consortium.

A véspera da descolagem ficou marcada pelo encontro na Biblioteca Municipal de Vila do Porto com Sara García-Alonso, astronauta de reserva da Agência Espacial Europeia e investigadora na área do cancro em Madrid. 

A bióloga molecular sublinhou a forte participação feminina desta edição: pela primeira vez, as raparigas superaram os rapazes no grupo português (14 em 25) e foram também maioria entre os estónios (sete em dez), somando 21 raparigas nos 35 jovens a voar.

“Para muitos jovens, imaginarem-se numa carreira na ciência ou no espaço começa com a oportunidade de conhecer esse mundo de perto, e iniciativas como o Astronauta por um Dia são uma forma poderosa de o tornar possível”, notou a astronauta, lembrando à plateia que “o talento, a curiosidade e a coragem não têm género”.

A cerimónia de graduação dos participantes decorreu na sede da Agência Espacial Portuguesa e contou com a presença de entidades regionais e internacionais, incluindo o presidente da AI² – Agência para a Investigação e Inovação e a presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, Bárbara Chaves.

Após o voo, cada finalista assume o papel de embaixador junto da sua comunidade escolar para reforçar a literacia científica ao longo do ano seguinte.

O programa que atrai uma média de 600 candidaturas anuais, já soma mais de 3000 candidatos num percurso de cinco anos de existência. 

O modelo concebido em Portugal servido de referência para iniciativas semelhantes em países como Espanha, França, Áustria, Luxemburgo e Estónia, com perspetiva de um alargamento à Grécia e à República Checa.

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