Os dados do terceiro trimestre de 2026 do Observatório de Enfermagem do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) preocupam a Ordem dos Enfermeiros.
Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente do conselho diretivo regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares, no âmbito das reuniões com os conselhos de administração do HDES e do Centro de Saúde de Ponta Delgada, acompanhado pelo bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, insiste na necessidade de contratar mais enfermeiros na Região, sobretudo no HDES.
Em setembro deste ano, os 673 enfermeiros do HDES, que registavam uma idade média de 41 anos (com 61 enfermeiros com mais de 60 anos), contabilizavam 12.112 folgas acumuladas (+1.565 do que em janeiro); 53.948 horas de descanso acumuladas (+4.850 do que em janeiro); e 42.798 horas extra (+25% face ao primeiro trimestre).
Além disso, com 24 horários reajustados por limitações ocupacionais (+2 face ao primeiro trimestre); 21 horários de amamentação e aleitação (+3 do que no primeiro trimestre); 77 horários de parentalidade (+9 face ao primeiro trimestre); duas dispensas do trabalho noturno por idade superior a 50 anos (no total, há 171 enfermeiros com mais de 50 anos).
Os dados indicam que há uma taxa de absentismo de 15%, ou seja, três em cada 20 enfermeiros estão ausentes, por licença sem remuneração, licença por gravidez de risco clínico, licença parental, doença ou formação.
Abertura de 25 vagas é importante, mas insuficiente
Pedro Soares saúda a abertura do concurso para 25 vagas na área da enfermagem no HDES, mas entende que ainda é insuficiente face às necessidades identificadas.
O presidente do conselho diretivo refere que está “preocupado” com a saída de jovens enfermeiros para o exterior. Defende, por isso, a criação de apoios à fixação de profissionais nos Açores, sendo que os incentivos não devem ser limitados apenas à componente remuneratória.
Pedro Soares vê com “bons olhos” a possibilidade de serem anunciadas, no início de cada ano, as vagas disponíveis para contratação de enfermeiros, permitindo assim às instituições planear antecipadamente os recursos humanos.
A implementação do projeto “enfermeiro de família”, que está a decorrer num projeto-piloto no Centro de Saúde da Povoação, foi igualmente um dos tópicos abordados nas reuniões entre os enfermeiros e os conselhos de administração das instituições.
O entrevistado refere que o número de recém-formados não é suficiente para colmatar as saídas por reforma dos enfermeiros açorianos. “Nós não estamos a acrescentar, estamos só a substituir”, afirma Pedro Soares. O aumento de vagas de enfermagem na Universidade dos Açores é uma possibilidade, mas enfrenta limitações relacionadas com a capacidade formativa e os campos de estágio.
A Ordem também está “preocupada” com as outras ilhas, que também estão com dificuldades. Em São Jorge, houve um concurso para enfermeiros encerrado por falta de candidatos.
“Novo” HDES será uma mais-valia para o SRS
Questionado sobre a situação do HDES após o incêndio de 4 de maio de 2024, Pedro Soares refere que, mesmo com os constrangimentos, a resposta assistencial continua segura e prestada com a “melhor qualidade possível”, dadas as circunstâncias.
O presidente do conselho diretivo regional da Ordem dos Enfermeiros refere que, com o “novo” HDES e a articulação entre as várias Unidades de Saúde de Ilha e os hospitais, será possível organizar um SRS “robusto e com resposta eficaz a todos os açorianos”.
