“O sucesso da vitória foi a nossa estratégia”

Rúben Rodrigues, piloto de ralis



Se há um mês dissessem ao Rúben Rodrigues que ia vencer o Rali Terras d’Aboboreira, teria assinado por baixo na altura?

Talvez não, mas depois dos reconhecimentos e do trabalho que fizemos na pré-época, disse na apresentação do rali que vinha para ser competitivo e para tentar vencer a prova. Trabalhamos imenso nesse objetivo, foi um trabalho feito em equipa e seguimos uma estratégia que funcionou na perfeição.

Onde é que esteve o sucesso deste triunfo? Na gestão criteriosa que fez do andamento ou foram os adversários que acabaram por claudicar em algum momento?

Eu penso que o sucesso da vitória foi a nossa estratégia. Quando entrámos na prova mostrámos logo para o que vínhamos. Logo nas primeiras classificativas fomos bastante rápidos. Fomos os melhores a nível nacional e só fomos batidos pelo piloto japonês, que mostrou um ritmo diferente, mundialista. Seguimos o plano que foi atacarmos quando tínhamos que atacar, gerirmos quando tínhamos que gerir e fomos sempre mostrando a nossa velocidade e a nossa competitividade ao longo da prova.

O que é que representa para o Rúben Rodrigues e para a Auto Açoreana Racing esta vitória, a primeira a nível nacional?

Esta vitória pode representar muito naquilo que são as nossas aspirações este ano. No ano passado viemos para o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) conhecer o campeonato. Este ano temos uma visão e um conhecimento diferente daquilo que são as provas no continente.

Penso que para nós, começarmos a vencer logo na primeira prova é bastante motivador. É muito importante vencer logo na primeira prova porque, em termos de pontos, no futuro, pode ser importante. Temos de continuar a trabalhar a cada rali para tornar essas vitórias mais consecutivas.

O facto de ter ganho esta prova vai fazer com que os seus adversários no CPR olhem para o Rúben Rodrigues de uma forma diferente, como aquela que provavelmente não olhariam até sexta-feira?

Acho que sim porque, realmente, o campeonato este ano será muito competitivo. Eu julgo que teremos sempre aqui, à partida de cada rali, cinco ou seis pilotos capazes de ganharem as provas. Julgo que o que cometer menos erros e o que fizer opções estratégicas mais acertadas, quer de pneus, quer de classificativas, o que reunir um conjunto de fatores vai ficar mais perto da vitória. Temos de trabalhar todos estes aspetos. O detalhe, de certa forma, marcará a diferença e ao juntarmo-nos a esse leque de pilotos tão titulados - e alguns que regressaram -, alguns que são novos, mas com muita experiência, tudo isso nos enriquece. Eu e a Auto Açoreana Racing é mais um nome que poderá, no futuro, marcar a sua história no CPR.

Depois de Horácio Franco e de Ricardo Moura, o Rúben Rodrigues poderá ser um digno sucessor destes pilotos de ralis açorianos e almejar títulos nacionais?

Vamos trabalhar para tentar alcançar esse feito mais uma vez. Como disse bem, o Ricardo Moura e o Horácio Franco foram pilotos que marcaram os campeonatos nacionais em determinadas alturas, foram diversas vezes campeões nacionais. Nós gostaríamos de ser, é um sonho poder alcançá-lo. Vou trabalhar para isso. Eu e a minha equipa estamos focados para que, a cada rali, possamos dar o nosso melhor e levar o nome dos Açores o mais longe possível e marcarmos aqui a nossa história no CPR. Era importante e, para nós, um motivo de grande orgulho.

No Rali Terras d’Aboboreira a bandeira dos Açores subiu por duas vezes ao lugar mais alto do pódio. Para além do Rúben Rodrigues que venceu, o Pedro Câmara teve uma estreia de sonho nos nacionais. Como é que olha para a evolução do Pedro Câmara nesta sua ainda curta – mas promissora – carreira nos ralis?

O Pedro Câmara tem mostrado que pode ser, no futuro, um piloto bastante competitivo. E atenção que já o é! Poderá alcançar muitos títulos pela sua juventude. Com grande satisfação e alegria vejo que nós açorianos, apesar de estarmos mais isolados ou um pouco longe, também conseguimos ser tão competitivos como aqueles que têm mais oportunidades, que têm melhores condições. Mas nós, na adversidade, digamos assim, conseguimos superar-nos e mostrar que também somos competitivos. O Pedro Câmara tem feito um grande trabalho. Penso que ele está no caminho certo e no futuro será uma grande promessa do desporto motorizado.

O programa desportivo de 2026 vai agora levar o Rúben Rodrigues para onde? Qual é a próxima prova?

A próxima prova é o Rally de Portugal. É uma prova de estreia para nós. Nunca o fizemos. Será o realizar de um sonho, estar à partida do maior evento automobilístico em Portugal e inserido na comitiva do WRC (World Rally Championship). Vamos trabalhar com o intuito de percebermos o que é que poderemos fazer. À partida somos o 37.º na estrada, entre 70 pilotos. Penso que será um rali em que temos que ter muita atenção. Nunca o fiz, mas já fui avisado de vários cenários que podem acontecer e temos que estar focados em trazer o máximo de pontos para a nossa equipa porque é uma prova extremamente dura, exigente, difícil. Espero estar ao nível do acontecimento.


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