“O tratado fundador da NATO [o Tratado de Washington] não contém quaisquer disposições relativas à suspensão da adesão à NATO, à expulsão ou à participação limitada” de um Estado-membro, afirmou um porta-voz da organização militar citado pela agência de notícias Europa Press.
A única forma de um Estado-membro abandonar a Aliança Atlântica é por sua própria vontade, conforme estipulado no artigo 13.º do Tratado de Washington, que refere que “qualquer parte pode deixar de ser parte” um ano após “notificar o Governo dos Estados Unidos da sua retirada”.
A agência de notícias Reuters, que cita uma fonte governamental norte-americana, noticiou que um e-mail interno do Pentágono (departamento de Defesa) avança opções para o Governo dos EUA “punirem os aliados” da NATO que, no entender de Washington, não apoiaram as operações dos ataques ao Irão iniciados em final de fevereiro.
Entre essas opções estão a suspensão de Espanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e a revisão da posição dos EUA relativamente à reivindicação britânica sobre as ilhas Malvinas, revelou a mesma fonte à Reuters.
Questionada sobre este e-mail, a porta-voz do Pentágonos, Kingsley Wilson, citada pela Reuters, respondeu: "Como afirmou o Presidente [Donald] Trump, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram pelos nossos aliados da NATO, estes não nos apoiaram."
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já reagiu, desvalorizando a questão e afirmando que não recebeu qualquer queixa formal da administração Trump.
Sánchez reiterou ainda que Espanha é um “parceiro leal” que cumpre as suas obrigações com a Aliança Atlântica.
“Não trabalhamos com base em e-mails, trabalhamos com base em documentos e declarações oficiais, neste caso, do Governo dos Estados Unidos. A posição do Governo espanhol é clara: cooperação absoluta com os aliados, mas sempre dentro da estrutura do direito internacional”, disse Sánchez, em declarações à imprensa após a sua chegada a uma cimeira informal de líderes da União Europeia em Nicósia, capital cipriota.
O primeiro-ministro espanhol tem sido uma das vozes mais críticas da guerra no Irão, classificando o conflito como “profundamente ilegal” já que não tem por base uma resolução das Nações Unidas.
Espanha, mas também França e Itália, negaram o uso do seu espaço aéreo e bases militares para as operações, atitude que o Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou como “pouco colaborativa”.
Trump também exigiu que os países europeus assumissem a responsabilidade pela segurança e reabertura do estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento energético da Europa que foi bloqueada pelo Irão em março, mas a maioria dos líderes europeus, incluindo os de Alemanha, França e Reino Unido, rejeitou enviar quaisquer navios de guerra.
O Presidente norte-americano chegou a ameaçar a retirada dos Estados Unidos da NATO, caso a Europa não assumisse um papel mais ativo no conflito e na proteção do estreito de Ormuz.
