Exames

JS/Açores diz que solução não responde aos problemas dos estudantes açorianos

A Juventude Socialista (JS) dos Açores manifestou “profunda preocupação” com a solução do Governo para os atrasos na divulgação das classificações dos exames nacionais, considerando que “está longe” de responder aos problemas dos estudantes da região



“A criação de uma época especial de exames em setembro não resolve a situação dos alunos que continuam sem classificações ou daqueles que, perante os resultados obtidos, necessitam de recorrer à segunda fase dos exames nacionais”, considerou a JS/Açores em comunicado.

O ministro da Educação anunciou que irá manter o calendário da primeira fase do acesso ao ensino superior, que arrancou hoje, apesar dos constrangimentos da classificação e divulgação das notas dos exames nacionais.

Em conferência de imprensa, Fernando Alexandre reconheceu vários erros no processo de classificação das provas e anunciou que os alunos prejudicados poderão realizar exames nacionais numa época especial, que se realizará em setembro.

O líder da JS nos Açores, Russell Sousa, citado na nota, refere que o Governo da República “voltou a demonstrar que continua sem compreender a realidade dos estudantes açorianos”.

“Viver nos Açores não é o mesmo que viver no continente. Cada atraso tem consequências muito mais graves para quem precisa de organizar viagens, alojamento, candidaturas e toda a sua vida com semanas de antecedência”, disse.

Segundo Russel Sousa, a solução “chega tarde e é insuficiente”: “Há centenas de alunos que continuam sem conhecer as suas classificações e outros que apenas agora sabem que terão de realizar exames na segunda fase. Não se pode exigir que estes jovens reorganizem toda a sua vida em poucos dias por falhas que são exclusivamente da responsabilidade do Estado”.

A JS/Açores alerta, ainda, que os estudantes das Regiões Autónomas que ingressam através da segunda fase “deixam de poder beneficiar do contingente especial destinado aos estudantes açorianos e madeirenses, concorrendo apenas pelo contingente geral”.

“Este é um dos aspetos mais injustos de toda esta situação. Um aluno açoriano que seja empurrado para a segunda fase, por circunstâncias que não controla, perde automaticamente a possibilidade de beneficiar do contingente especial de acesso ao ensino superior. Isto significa que pode ficar numa posição de desigualdade relativamente aos restantes estudantes, sem ter qualquer responsabilidade no sucedido”, referiu.

Para Russell Sousa, o Governo “tem a obrigação de garantir que nenhum estudante é prejudicado por falhas administrativas que lhe são totalmente alheias”, salientando que a igualdade de oportunidades “não pode depender da sorte nem do código postal”.

A JS/Açores apela ao Governo da República que adote “medidas excecionais” que garantam que nenhum estudante açoriano seja prejudicado no acesso ao ensino superior devido aos atrasos na divulgação das classificações dos exames nacionais.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, também recusou o pedido de professores e pais para abolir os 25 euros exigidos para a reapreciação dos exames nacionais, justificando tratar-se de uma "taxa moderadora".

"Os 25 euros têm de se manter. É uma taxa moderadora", defendeu o ministro durante uma conferência de imprensa no dia em que começam as candidaturas do concurso nacional de acesso ao ensino superior e na véspera do arranque da 2.ª fase dos exames nacionais.

Este foi o primeiro ano em que os exames nacionais do ensino secundário, realizados por cerca de 166 mil alunos, foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas, obrigando o Ministério da Educação a rever o calendário inicialmente previsto.

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