Segundo o Governo Regional, o impacto direto e indireto do Grupo SATA nas contas públicas regionais ascendeu a 68,9 milhões de euros. Contudo, não comprometeu a sustentabilidade das finanças públicas regionais, revela o executivo açoriano, em resposta a um requerimento do grupo parlamentar do Partido Chega Açores.
No documento, o executivo açoriano detalha o número de avales concedidos em 2025 ao Grupo SATA, para fazer face a “necessidades de tesouraria”, valor que foi de 85 milhões de euros, a que se junta mais um aval de 25 milhões de euros, em janeiro deste ano. Questionado se algum dos avales já tinha sido acionado, convertendo-se em encargos efetivos para a Região, a resposta foi negativa.
Quanto ao resultado líquido consolidado do Grupo SATA em 2025, o Governo Regional revela que fixou-se nos -18 milhões de euros, um valor que foi influenciado pela classificação da Azores Airlines como ativo não corrente detido para venda no final de 2024, em conformidade com a IFRS 5, uma norma internacional de contabilidade que define como uma empresa deve contabilizar ativos ou negócios que pretende vender, em vez de continuar a utilizá-los.
Por outras palavras, como a companhia área açoriana foi colocada para venda, os aviões e outros ativos da Azores Airlines deixam de ser contabilizados como perdendo valor ao longo do tempo (depreciações e amortizações), como acontecia antes.
Se fossem mantidas as anteriores regras contabilísticas, os resultados líquidos operacionais seriam na ordem dos 60 milhões de euros negativos, visto que, segundo o relatório de contas consultado pelo Açoriano Oriental, a amortização dos ativos da Azores Airlines ascendeu aos 42 milhões de euros.
Quanto ao montante da dívida financeira e comercial do Grupo SATA foi de 386,5 milhões de euros em 2025, dos quais 44,2 milhões de euros a fornecedores. Contudo, ao abrigo da aplicação da norma IFRS5, as dívidas a fornecedores da Azores Airlines são excluídas, o que perfaz uma dívida a fornecedores consolidada nos 24,7 milhões de euros.
Sobre a percentagem dos custos
financeiros, associados ao serviço de dívida do Grupo SATA, esta
situou-se nos 9,3% total, ou seja 14,6 milhões de euros, segundo a
resposta ao requerimento.
Mais 400 trabalhadores desde 2021 e custos duplicam
Entre 2021 e 2025, mais de 400 trabalhadores entraram para o Grupo SATA, totalizando 1862 no final do ano passado, um aumento na ordem dos 28%. Por empresa, a Air Açores tem a maior fatia (1001), seguindo-se 822 na Azores Airlines, 34 na SATAAeródromo e cinco na Holding.
Os custos, esses, duplicaram, passando de 73,9 milhões de euros para 135,8 milhões de euros, mais 84% no espaço dos cinco anos.
De notar que o Governo Regional não revelou dados sobre as rotas operadas pela Azores Airlines em 2025, nomeadamente quais tinham sido deficitárias, por se tratar de “informação sensível que diz respeito ao segredo comercial da empresa”.
