“A ilha de Santa Maria passou a dispor, pela primeira vez, de uma escala semanal regular de navio porta-contentores, pondo fim a uma lacuna histórica no abastecimento marítimo da ilha”, revelou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, citada num comunicado.
Segundo a governante, esta medida põe “fim a uma lacuna histórica no abastecimento marítimo da ilha”.
“Santa Maria não dispunha de uma ligação semanal de transporte de mercadorias. Essa realidade foi alterada através de um trabalho sério, persistente e de diálogo construtivo entre o Governo dos Açores e os armadores, que permitiu garantir uma escala semanal de navios porta-contentores, como o ‘Margarethe’”, refere a governante na nota divulgada pelo Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM).
Berta Cabral recorda que esta solução “mereceu reconhecimento generalizado” por parte das entidades locais, incluindo o Conselho de Ilha, que a consideraram “um avanço decisivo para reforçar a equidade entre ilhas, corrigir um problema estrutural antigo e melhorar de forma concreta o abastecimento e a dinâmica económica local”, é referido ainda.
Em resposta às declarações do líder do PS/Açores, Francisco César, que na segunda-feira acusou o Governo de “incapacidade” nos transportes para Santa Maria, a secretária regional "rejeita categoricamente essas críticas", salientando "a robustez do modelo atualmente em funcionamento", lê-se na nota.
“Para além do navio porta-contentores, Santa Maria conta ainda com o navio ‘Isabel C’, da empresa Parece e Machado, que assegura várias ligações semanais. Trata-se de um sistema complementar e reforçado que garante uma resposta consistente às necessidades da ilha”, disse.
A governante sustentou que “nenhuma outra ilha dos Açores dispõe de um modelo de transporte de carga marítima tão completo, articulando de forma eficaz o transporte territorial com o transporte local”.
No que respeita ao transporte marítimo de passageiros, Berta Cabral recordou as conclusões do Tribunal de Contas sobre a anterior operação da chamada “Linha Amarela”, apontando para “graves problemas de eficiência e sustentabilidade financeira”.
Citando o Tribunal de Contas, o Governo Regional refere que a operação representou "um encargo público significativo e desproporcionado, tendo custado cerca de 24 milhões de euros para um serviço sazonal limitado a apenas três meses ao longo de três anos, o equivalente a aproximadamente 2,6 milhões de euros por mês de operação".
"O mesmo relatório evidenciou que 83,4% dos cerca de 28 milhões de euros de transferências públicas entre 2017 e 2019 foram absorvidos na cobertura de prejuízos da operação, demonstrando a sua incapacidade de gerar receitas próprias e a forte dependência de financiamento público", assinala.
O Tribunal de Contas concluiu ainda pela "existência de um claro desajustamento entre a oferta e a procura, considerando que o serviço foi sobredimensionado face à utilização real, contribuindo para o desequilíbrio económico da Atlânticoline [empresa pública de transporte marítimo]", acrescenta.
Berta Cabral sublinhou que as opções do atual Governo assentam "na responsabilidade, na eficiência e na adequação à realidade das ilhas", com "soluções sustentáveis que efetivamente servem as populações", assinalando o caso da “Tarifa Açores”.
