Num jantar organizado pela distrital de Lisboa, na Terrugem (concelho de Sintra), para cerca de 700 pessoas, Luís Montenegro lamentou que cada vez mais pessoas em Portugal ganhem o Salário Mínimo Nacional e que a classe média esteja “cada vez mais diminuída e asfixiada”.
“É uma sociedade verdadeiramente socialista e comunista, eles estão a conseguir impor o modelo que é o modelo ideológico do socialismo e do comunismo, mas este não é o modelo que serve o interesse das pessoas, de quem trabalha e dá o seu esforço para ter um rendimento e subir na vida”, acusou, contrapondo a necessidade de “premiar o mérito” e “dar instrumentos” para que todos possam subir na vida.
Montenegro avisou que as decisões do Governo ou a ausência destas “têm consequências” em áreas como a saúde, a ferrovia – considerando “um escândalo” o que se passou com o comboio sobrelotado na linha de Sintra – ou a TAP.
Sobre a transportadora aérea, Montenegro fez questão de responder às críticas do líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, que na quinta-feira acusou o antigo governo PSD/CDS (2011-2015) de ter sido cúmplice de uma alegada compra da TAP com recursos da companhia aérea, defendendo que esta “não foi privatizada, foi oferecida” a David Neelman.
“O Dr. Eurico tem dias que não é brilhante, como foi o caso de ontem. Há uma comissão de inquérito cujos trabalhos praticamente não arrancaram e ele já veio sentenciar”, criticou Montenegro.
O líder do PSD recordou que a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo BE tem como objeto apreciar os atos praticados na TAP de 2020 até agora, acusando o PS de ter encontrado “um estratagema” para chamar ex-governantes à Comissão de Economia.
“Sejam claros, digam ao que vêm, sejam diretos, sejam francos. Querem fazer na comissão de Economia o que compete à comissão de inquérito, não atirem é areia para os olhos das pessoas”, apelou, dizendo que o PSD está disponível para esclarecer quer o que se passou na privatização da TAP em 2015, mas também em todos os anos seguintes.
“E aí vamos ver quem tem a responsabilidade de ter tirado às pessoas 3,2 milhões de euros para pagar um capricho ideológico que não tinha nenhuma razão de ser”, acusou, na parte mais aplaudida do seu discurso.
