Estados Unidos vão rever presença militar na Europa nos próximos seis meses

Os Estados Unidos vão rever no prazo de seis meses a presença militar na Europa, anunciou o secretário da Defesa norte-americano, criticando os aliados que recusaram acesso às suas bases na guerra contra o regime iraniano



"Anuncio uma revisão em seis meses (...) que examinará a presença das forças norte-americanas e o seu posicionamento na Europa", declarou Hegseth durante uma reunião dos ministros da Defesa da NATO na sede da Aliança, em Bruxelas.

“Esta será uma revisão real. Será concebida para garantir que a NATO está a avançar de forma rápida e irreversível para que a Europa lidere, assumindo a responsabilidade principal pela defesa da Europa”, disse aos seus homólogos da NATO.

Hegseth criticou os aliados europeus por não terem proporcionado às forças norte-americanas o acesso a bases na Europa para lançar ataques contra o Irão, considerando-a uma atitude vergonhosa.

“Estes aliados colocam os filhos e filhas da América, os nossos filhos e filhas, em risco, negando-lhes o acesso, o uso de bases e o sobrevoo previsíveis que nunca deveriam ter sido questionados”, afirmou.

Hegseth afirmou hoje que os aliados dos Estados Unidos na Europa devem assumir a liderança na defesa do seu próprio continente e ajudar a transformar a NATO numa “uma aliança militar de linha dura”.

Na reunião dos ministros da Defesa da NATO, Hegseth defendeu uma reformulação da organização de 32 nações para a transformar numa “NATO 3.0”, capaz de dissuadir qualquer ameaça.

“A NATO 3.0 é o reconhecimento pós-Guerra Fria de que a NATO precisa de regressar a uma aliança militar de linha dura, com capacidades militares reais capazes de dissuadir aqui mesmo no continente e assumir a liderança na defesa convencional da Europa”, disse Hegseth.

Como parte disso, o secretário de Defesa norte-americano disse aos jornalistas que os Estados Unidos investiriam 1,5 biliões de dólares (1,3 biliões de euros) na sua própria defesa em 2027, enviando “uma mensagem ao mundo” de que o seu país está a construir um “arsenal da liberdade”.

Hegseth afirmou que este arsenal “protege, antes de mais, os Estados Unidos e os seus interesses, mas também reforça a força da NATO e dos nossos aliados”.

Sublinhou que os aliados dos EUA “precisam de estar dispostos a tomar uma posição e agir de forma enérgica” em relação à defesa do seu próprio continente.

Os ministros da Defesa europeus da NATO concordaram hoje que o realinhamento das capacidades militares dos EUA no continente, com foco na região Indo-Pacífica, é "compreensível" e "previsível", embora tenham solicitado a Washington "tempo" e uma retirada "sincronizada" para evitar lacunas.

Durante a reunião dos 32 ministros da NATO, os países europeus da Aliança concordaram com a necessidade de a Europa assumir uma maior responsabilidade pela sua própria dissuasão convencional, mas alertaram para o desafio logístico de substituir as plataformas militares estratégicas a curto prazo.

A este propósito, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarou à imprensa que é "perfeitamente compreensível" que a Europa assuma o controlo da sua própria defesa e que era também "previsível" que Washington "reduzisse a sua atuação na Europa para se envolver mais no Indo-Pacífico", "independentemente de qual o governo que estivesse no poder".

"A questão crucial agora é o roteiro e o calendário de cada etapa", afirmou Pistorius, lamentando que, embora se soubesse "há anos" que os Estados Unidos iriam reajustar as suas capacidades na Europa, "ainda não foi tomada uma decisão" sobre quem assumirá essas responsabilidades.

Nesse sentido, pediu à Casa Branca "um pouco mais de tempo" e que o processo seja conduzido "de forma sincronizada", com o objetivo de evitar "lacunas perigosas nas capacidades convencionais na Europa" caso as capacidades sejam retiradas muito rapidamente "sem um entendimento claro de quando poderão ser substituídas".


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