“O facto de o setor da defesa, juntamente com os cidadãos israelitas, estarem a tomar conhecimento, através dos meios de comunicação social, de uma mudança na relação estratégica demonstra como a conduta de Netanyahu representa um perigo real”, afirmou Eisenkot em comunicado.
Para o líder do partido Yashar! (Íntegro), que ficou em segundo lugar nas eleições legislativas realizadas há uma semana, e que procura constituir uma maioria alternativa ao atual executivo, as notícias que hoje chegam de Washington demonstram que Netanyahu “já não é fiável e precisa de ser substituído”.
O ex-general israelita destacou que “a relação especial de Israel com os Estados Unidos é uma componente fundamental da segurança nacional” do país e exigiu explicações.
“Mais uma vez, o primeiro-ministro de Israel mostra-se incapaz de olhar nos olhos dos cidadãos e dizer a verdade. Netanyahu precisa de dar explicações aos israelitas esta noite”, declarou.
Donald Trump anunciou hoje que pretende acabar com a ajuda anual de quase quatro mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros) que os Estados Unidos fornecem a Israel até ao final de 2026, argumentando que o país “já não precisa” desta assistência devido à sua prosperidade económica.
Em entrevista telefónica à estação Fox News, o Presidente norte-americano explicou que a iniciativa partiu do próprio Netanyahu, que colocou a hipótese da suspensão da ajuda.
Outro dirigente da oposição israelita, Yair Golan, líder da coligação de centro-esquerda Democratas, também criticou o chefe do Governo, no seguimento do “fracasso colossal" que representa o corte da ajuda de Washington.
"Numa altura em que os gastos de defesa de Israel atingiram enormes proporções, o país precisa de reabastecer os seus arsenais de armas ofensivas e as suas capacidades de defesa aérea deterioraram-se após uma guerra tão prolongada, Netanyahu acrescenta mais um fracasso colossal ao seu historial", escreveu Golan, outro antigo general, nas redes sociais.
Os Democratas são uma das quatro forças políticas de base judaica – juntamente com o Yashar!, Juntos e Israel é a Nossa Casa – que constituem o chamado bloco da mudança ao grupo de partidos pró-Netanyahu, que incluem o Likud, vencedor da votação, a extrema-direita e os ultraortodoxos.
Nas passadas legislativas, nenhum dos dois blocos conseguiu a maioria de 61 lugares para controlar o parlamento (Knesset), criando um impasse político que pode ser ultrapassado através dos 19 deputados eleitos pelas duas formações árabes.
Este eventual apoio não é porém consensual na oposição, que já se uniu no nome de Gadi Eisenkot para liderar um executivo em substituição de Netanyahu.
O atual memorando de entendimento de cooperação militar entre Estados Unidos e Israel, assinado em 2016, estipula uma contribuição norte-americana de 3,8 mil milhões de dólares anuais, de 2019 a 2028.
Trump e Netanyahu mantêm uma aliança estreita e o líder da Casa Branca apoiou o governante israelita nas últimas legislativas.
Ambos mantêm porém divergências em relação à guerra que os dois países iniciaram contra o Irão há mais de oito meses, bem como aos esforços de mediação que Washington tem procurado desenvolver nas frentes israelitas da Faixa de Gaza e do Líbano.
