CCIPD pede cautela na aplicação do Plano de Mobilidade e autarquia afasta fecho de ruas

O Plano de Mobilidade Sustentável para o centro histórico de Ponta Delgada está em consulta pública até 30 de setembro. A Câmara de Comércio defende a implementação faseada das medidas e a realização de estudos sobre o impacto, já a Câmara Municipal garante que não haverá mais ruas encerradas de forma permanente



A mobilidade no centro de Ponta Delgada tem dado que falar. O Plano de Mobilidade Sustentável tem gerado alguma polémica, sobretudo no que diz respeito à possibilidade de algumas ruas do centro histórico poderem vir a ser fechadas ao trânsito.  Apesar disso, os pareceres até agora conhecidos mostram que existe um consenso quanto à necessidade de melhorar a mobilidade no concelho, desde que as medidas sejam implementadas de forma gradual, ponderada e sem prejudicar a economia local.
A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), na sua generalidade, concorda com o plano e considera ter uma visão estratégica para tornar o concelho mais sustentável e melhorar a qualidade de vida. Ainda assim, alerta que várias medidas devem ter uma análise mais cuidadosa antes de avançar para a sua implementação.
Uma das preocupações tem a ver com as medidas que possam limitar a circulação de carros, mudar o estacionamento ou dificultar o acesso ao centro da cidade. Por isso, a CCIPD defende que devem ser feitos estudos técnicos e económicos sobre o impacto real das mudanças antes de ser tomada alguma decisão. Além disso, considera importante ouvir os comerciantes, empresários, residentes e os restantes agentes económicos.
A CCIPD concorda com várias propostas que constam do plano: como o reforço dos transportes públicos, a renovação das frotas com veículos elétricos, a expansão da rede de carregamento, a criação de mais ciclovias e percursos pedonais, o reforço da segurança rodoviária e a construção de mais parques de estacionamento.
No entanto, lembra que todas as medidas devem ter em conta as necessidades das empresas e de quem trabalha no centro da cidade. O acesso dos clientes, dos trabalhadores, das operações de cargas e descargas e serviços de emergência deve continuar a ser garantido para que não se prejudique a atividade económica.
A CCIPD sublinha ainda que a mobilidade sustentável e a competitividade económica não são objetivos incompatíveis. Pelo contrário, considera que é possível conciliar a consciência ambiental com uma cidade dinâmica e acessível. Mas alerta que as alterações devem ser feitas de forma gradual, com avaliações regulares e sem criar novos encargos administrativos ou burocráticos para as empresas.
Outros dos pontos que a Câmara de Comércio ressalva é a importância de apostar nos transportes públicos. Pois, só uma rede com boa cobertura, horários adequados e ligações eficientes pode levar mais pessoas a deixar o carro e a optar por alternativas mais sustentáveis.
Entretanto, e perante a controvérsia gerada por uma petição sobre o plano, a Câmara Municipal de Ponta Delgada veio tornar pública a sua posição. Pedro Nascimento Cabral, presidente da autarquia, garante que “este executivo municipal não irá encerrar mais nenhuma rua ao trânsito no centro histórico de Ponta Delgada, nem vai permitir a imposição de quaisquer novos condicionalismos de acesso ao mesmo”.
Segundo a nota enviada pelo município, o plano considera, apenas como hipótese, a criação de um sistema de controlo temporário de acessos a uma determinada área condicionada. Ainda assim, a autarquia garante que está salvaguardada a circulação de residentes, comerciantes, operações de abastecimento, forças de segurança e serviços de emergência. Afastando, assim, a ideia de que seja tomada a decisão de encerrar  de forma generalizada as ruas da cidade de Ponta Delgada.
O município recorda ainda que o Plano de Mobilidade Sustentável é um documento estratégico, com recomendações a médio e longo prazo em áreas como o transporte público, a mobilidade pedonal e de bicicletas, o estacionamento, a logística urbana e a redução de emissões.
Além disso, reforça que o documento continua em consulta pública até ao dia 30 de setembro, precisamente para recolher os contributos da comunidade, das associações e de outras entidades interessadas .
No fundo, a Câmara Municipal quis tranquilizar a população quanto à possibilidade de serem encerradas mais ruas ao trânsito. Já a Câmara de Comércio deixa claro que, caso venham a ser aplicadas medidas que afetem a circulação do trânsito, o estacionamento ou os acessos ao centro, estas devem ser previamente estudadas, discutidas e implementadas de forma gradual.

PUB

De um total de 79 jackpots do Euromilhões, registados em Portugal desde 2004, nenhum prémio máximo foi atribuído na região, que em 2025 apostou 46,2 ME em jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa