Carneiro desafia Montenegro sobre lei das rendas, PM diz que PS não tem “a mínima autoridade”

O líder do PS desafiou o primeiro-ministro a viabilizar as propostas dos socialistas para o arrendamento, tendo Luís Montenegro respondido que o Governo recusa “fazer asneiras” numa área em que não vê a “mínima autoridade” aos socialistas



No debate quinzenal, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, abriu com o tema da habitação e acusou o Governo de “grande insensibilidade”, insistindo na revisão da lei do arrendamento urbano, sobre a qual já tinha desafiado o Governo a deixar cair o acordo escrito que fez com o Chega.

“Está ou não está disponível para viabilizar a proposta que apresentou o PS porque ela é a única que dinamiza o mercado do arrendamento, salvaguarda o interesse dos proprietários e protege os inquilinos mais jovens e particularmente os mais idosos”, perguntou Carneiro a Luís Montenegro.

Na resposta, o chefe do executivo assegurou que o “Governo está sempre disponível para o diálogo político e até para a negociação” desde que haja entendimento “sobre o caminho para se atingirem os resultados”.

“Ora, na área da habitação, o PS não tem a mínima autoridade”, acusou, considerando que “todos os constrangimentos que Portugal vive hoje em matéria de habitação” são “em muitos casos mais agravados por via das políticas do PS”.

Para Montenegro, o líder do PS “ainda não se convenceu que as políticas do Partido Socialista conduziram à situação” que o país vive hoje em matéria de habitação, o que torna o “diálogo muito difícil”.

“Disponibilidade para a negociação e o diálogo temos toda, mas para fazer asneiras isso não temos”, justificou o primeiro-ministro.

Outro tema em relação ao qual Carneiro fez críticas ao Governo foi sobre a saúde, em relação ao qual acusou Montenegro de falhar "todas as promessas que fez" e apresentou números sobre tempos de espera e médicos de família. 

"Soubemos ontem, publicamente, que afinal o senhor primeiro-ministro se prepara para atribuir responsabilidades a outros e para fazer uma mudança radical na estrutura executiva sem que algum dia tenha apresentado este Parlamento ou tenha sido objeto do diálogo com os partidos da oposição. Que mudança é essa que quer fazer no Serviço Nacional de Saúde", questionou Carneiro.

Na resposta, o primeiro-ministro disse que o Governo estava a "rever vários instrumentos de política" para maior eficiência, "a combater a fraude" e a trabalhar em "novos modelos de gestão".

"Também vamos ter uma reforma orgânica do Ministério da Saúde que ainda não está pronta e, portanto, tudo aquilo que o senhor deputado possa adiantar neste momento é pura especulação, mas que está naturalmente na mesa de trabalho dos responsáveis do Ministério da Saúde e das entidades tuteladas pelo Ministério da Saúde, mas nós não vamos fazer uma discussão à volta de um processo que está em curso. Cá estaremos na Assembleia da República para assumir as nossas responsabilidades e as nossas opções e para promovermos o diálogo político também com os partidos da oposição", comprometeu-se.

O líder do PS aproveitou este momento para insistir na sua disponibilidade "para um debate sério" sobre a segurança das fronteiras nacionais.

"Estou preparado para este debate. Quando quiserem ter, com seriedade, estou preparado. Já o disse mais do que uma vez, que é para acabarmos de uma vez com os mitos, porque os números que levam às Nações Unidas são diferentes dos números que afirmam aqui em Portugal", reiterou.


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