O apoio da União Europeia às regiões ultraperiféricas apresenta uma “importância absolutamente evidente e fundamental”, sendo mesmo uma “tábua de salvação” para os Açores.
A opinião é de Carlos Amaral, professor da Universidade dos Açores, que em declarações ao Açoriano Oriental, considera que, sem este tipo de apoios, “nada consegue ser feito de importante na nossa região”.
“Com as receitas de que nós dispomos autonomamente, não somos capazes de garantir a qualidade de vida e a cidadania europeia plenas de que temos direito e que estão consagradas nos tratados”, deixa claro o professor.
“É para isso que, subsidiariamente, nós precisamos dos apoios comunitários, para que a nossa qualidade de vida se aproxime dos patamares médios da União Europeia”, indica Carlos Amaral, acrescentando igualmente que a falta de apoio pode acabar por ter implicações no futuro do desenvolvimento da região.
“Nós precisamos destes apoios na economia, na saúde, na cultura e no ambiente. De forma transversal, em todos os setores da vida contemporânea, porque com os recursos próprios de que nós dispomos, nunca mais temos a menor hipótese de lá chegar”, afirma.
Assim sendo, Carlos Amaral indica que se deve “continuar a apresentar a nossa realidade às instituições europeias”, deixando claro “as nossas necessidades concretas específicas, nos mais variados setores”.
O professor considera ainda que os Açores apresentam uma “posição estratégica”, havendo “um conjunto de mais-valias” que a região pode aportar à União Europeia em matéria de “segurança e defesa”.
“Por exemplo, veja-se a importância da base das lajes e dos nossos portos como infraestruturas de apoio à segurança do Ocidente. A nossa relação com os Estados Unidos, com o Canadá e com a América do Sul, nomeadamente o Brasil, é muito importante para a comunidade europeia”, salienta.
“Nós somos ativos absolutamente importantes para a União Europeia, designadamente em termos da relação transatlântica e de projeção da Europa para o mundo”, complementa.
Carlos Amaral conclui as suas declarações afirmando que a União Europeia “não estará a fazer nenhum favor” aos Açores por manter este tipo de apoios, sendo que, através destas medidas, a região pode continuar a “servir e a contribuir para o esforço de segurança e de progresso do continente europeu”.
