Angra do Heroísmo celebrou, no passado dia 21 de agosto, 492 anos de elevação a cidade, numa sessão solene que cruzou memória e futuro e colocou no centro da celebração aqueles que, ao longo de gerações, deram forma à identidade da cidade. A cerimónia serviu também para reafirmar as prioridades do Município e reconhecer o contributo dos cidadãos, instituições e jovens do concelho.
Na sua intervenção, a presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, colocou as pessoas no centro da celebração. “A cidade é feita, acima de tudo, pelas pessoas que, geração após geração, contribuíram para a sua construção. Uma cidade não se faz apenas com datas, decretos ou títulos. Uma cidade faz-se com pessoas”, afirmou, sublinhando que celebrar Angra significa “reconhecer quem, através do trabalho, da coragem e da dedicação, ajudou a construir a sociedade”.
A história da cidade foi evocada como parte de uma identidade que permanece presente. Da importância estratégica de Angra no contexto atlântico à resistência ao domínio filipino e ao contributo da causa liberal, passando pela capacidade de reconstrução após o sismo de 1980, a autarca destacou diferentes momentos em que a população foi chamada a enfrentar desafios e reinventar a cidade.
Essa herança encontra também reconhecimento internacional. A zona central de Angra do Heroísmo integra, desde 1983, a lista do Património Mundial da UNESCO. Um estatuto que, segundo a presidente, representa também uma responsabilidade: “o dever de o preservar, valorizar e entregar às gerações futuras”.
É nesse equilibro entre memória e futuro que o município pretende concentrar prioridades como a habitação, reabilitação urbana, fixação de famílias e jovens, apoio à economia local e comércio, bem como atração de investimento e criação de emprego qualificado.
“Uma Angra onde seja possível viver e concretizar um projeto de vida, onde os jovens encontrem oportunidades, as famílias tenham condições para permanecer e quem partiu possa encontrar razões para regressar”, afirmou na ocasião.
A cerimónia ficou ainda marcada pela evocação dos 50 anos da Autonomia dos Açores e do Poder Local democrático e dos 40 anos da adesão de Portugal à então chamada Comunidade Económica Europeia (CEE), momentos estes apresentados como exemplos da importância da participação das comunidades e da capacidade de transformar oportunidades em progresso.
As celebrações incluíram ainda a atribuição de distinções municipais a cidadãos e instituições pelo seu contributo para a sociedade, bem como a entrega de prémios de mérito a alunos do concelho.
No encerramento da sessão, Fátima Amorim reafirmou o seu compromisso de governar com proximidade, dedicação, transparência, diálogo e sentido de responsabilidade. Para a autarca “governar uma cidade como Angra é muito mais do que gerir um território. É cuidar de uma comunidade. É proteger uma identidade. É criar oportunidades. É preparar o futuro”.
A celebração dos 492 anos de Angra terminou com um concerto da cantora Aurea, acompanhada pela Sociedade Filarmónica Recreio Serretense, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.
