Açores vão ter um livro de boas práticas de literacia em saúde

Livro vai descrever “várias boas práticas espalhadas pelas ilhas”. Projeto foi realizado no âmbito do Curso de Capacitação e Competências de Literacia em Saúde, que contou com a participação de 171 profissionais de saúde de todas as ilhas dos Açores



Será lançado um livro digital de boas práticas de literacia em saúde nos Açores, que visa dar a conhecer as atividades e iniciativas relativas a este tema praticadas na região.

A informação foi avançada por Cristina Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa da Literacia em Saúde, que em declarações ao Açoriano Oriental, indicou que o livro estará disponível em formato digital, sendo de acesso gratuito.

Contando com o contributo de 67 autores, o livro, que se encontra agora em fase de revisão, está dividido em 23 capítulos que descrevem “as várias boas práticas que estão espalhadas pelas ilhas”.

Deste modo, temas como  cessação tabágica, doenças oncológicas, educação sexual, saúde digital, acompanhamento domiciliar individualizado e  prestação de cuidados à pessoa idosa vão estar disponíveis para consulta.

A importância da literacia em saúde

A elaboração deste livro foi possível graças à realização do Curso de Capacitação e Competências de Literacia em Saúde, que contou com a participação de 171 profissionais de saúde provenientes de “todas as ilhas dos Açores”.

À margem do evento de encerramento da referida formação, Raquel Dutra, gestora do Programa Regional de Promoção da Literacia em Saúde, destacou a importância de as pessoas terem uma maior literacia em saúde.

“Queremos que as pessoas sejam capazes de procurar e aceder a informação de confiança. E quando chegarem a essa informação, que a saibam compreender, para depois conseguirem aplicá-la no seu dia-a-dia, de modo a terem comportamentos mais promotores da sua saúde”, explicou a dirigente.

“O nosso objetivo acaba por ser conseguir desmistificar estas questões. Se as pessoas vão à internet procurar por informações, que utilizem fontes credíveis, provenientes de instituições de saúde certificadas, porque isto faz diferença depois nas opções de cada um”, complementou.

A mesma indica que este tipo de literacia está também relacionada com a capacidade das pessoas em “navegar nos sistemas de saúde”, havendo uma preocupação em facilitar estes processos.

“Quando a pessoa precisar de um serviço, onde é que deve ir? Com que prioridade? Se for uma situação urgente, onde deve recorrer? Eu creio, que estas são preocupações da população”, refere.

Outro aspeto “muito importante” salientado por Raquel Dutra é o facto da necessidade de haver um apelo aos “comportamentos de cada um”, visto que “grande parte” dos problemas de saúde “podem ser evitáveis”.

“Por exemplo, escolher não dar tanta importância à alimentação, de forma repetida e continuada, vai acabar por condicionar a nossa saúde”, aponta.

“E quem fala na alimentação fala no exercício físico, em todos os comportamentos que nós temos em termos de escolhas que impactam a nossa saúde”, acrescenta.

Estudo de Avaliação de Literacia em Saúde

Raquel Dutra aproveitou a ocasião para indicar que, atualmente, se encontra a decorrer a realização de um Estudo de Avaliação de Literacia em Saúde. 

O objetivo deste estudo passa por perceber qual o cenário atual relativamente à literacia em saúde da população, de forma a que possam ser planeadas ações direcionadas às “necessidades” que serão identificadas.

O estudo encontra-se atualmente na fase de “recolha de dados”, que vai decorrer até ao dia 31 de dezembro, havendo intenção de conhecer os resultados desta primeira fase  já em janeiro de 2027.  

A recolha de dados vai decorrer de forma anual até 2029, de modo a fazer-se uma “monitorização ao longo do tempo do perfil da literacia em saúde na região”.

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Livro vai descrever “várias boas práticas espalhadas pelas ilhas”. Projeto foi realizado no âmbito do Curso de Capacitação e Competências de Literacia em Saúde, que contou com a participação de 171 profissionais de saúde de todas as ilhas dos Açores