Açores candidatam saberes da viola da terra a Património Imaterial Nacional

Anúncio feito pela Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, que lembra que se trata de uma “ambição de há vários anos”



O Governo Regional dos Açores apresentou na passada sexta-feira, na ilha Terceira, a candidatura dos saberes e práticas de tocar viola da terra ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
O anúncio da formalização decorreu na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Sofia Ribeiro, Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto, admitiu que o avanço da candidatura era “uma ambição de há vários anos”, inserida num processo “complexo e de grande exigência burocrática”. Afirmou também que o projeto “resulta de um trabalho” para salvaguardar “um elemento identitário dos Açores” e que “há um grande sentimento de açorianidade em torno, não só da viola da terra, mas de tudo o que está associado a este instrumento, e que é vivenciado por todos os açorianos”.
Para assegurar a continuidade do instrumento, o Governo dos Açores está a desenvolver um currículo para o ensino da viola da terra no ensino secundário artístico, que será submetido a consulta pública. “Com isto nós honramos os açorianos, honramos os nossos tocadores e comprometemo-nos para a salvaguarda de todo o seu trabalho e do seu empenho para que possa haver uma projeção para as gerações futuras”, salientou Sofia Ribeiro.
A governante referiu que, apesar do património ser tão vasto, só há “duas inscrições neste inventário do património imaterial: as danças, os bailinhos e as comédias do Carnaval da ilha Terceira e os Romeiros de São Miguel”. Por isso, o executivo pretende ainda “exponenciar e aumentar” a presença da região no inventário nacional.
Estão já em preparação os processos da Procissão do Senhor dos Terceiros e das Cavalhadas, no concelho da Ribeira Grande, bem como a candidatura dos saberes e técnicas do Queijo de São Jorge DOP. Sobre estas iniciativas, a secretária regional garantiu: “Todos nós temos a certeza de que estas são expressões do património imaterial cultural, que têm, não somente expressão nos Açores, mas projeção nacional e até mesmo internacional”.
E é com esta projeção internacional que o Governo Regional está a preparar, com a ajuda dos municípios de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, um projeto para que as manifestações do Carnaval da ilha Terceira possam “subir um degrau” e atingir “a classificação da Unesco”.

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