Tim Madeira e António Alves da Costa expõem na Lagoa

Exposição “Que longe estou do que fui há uns momentos” de Tim Madeira e António Alves da Costa está patente no Convento de Santo António, na Lagoa



A vela de um antigo barco bacalhoeiro da Terra Nova está na génese da exposição “Que longe estou do que fui há uns momentos” de Tim Madeira e António Alves da Costa que está patente no Convento de Santo António na Lagoa.

Os trabalhos apresentados nesta exposição resultam da fusão da pintura de Tim Madeira com a fotografia de António Alves da Costa, que se inspiraram na “Ode Marítima” de Fernando Pessoa.

“A ‘Ode Marítima’ de Fernando Pessoa foi caminho, embora quando se olhe para o resultado das nossa obras sobressaia o experimentalismo”, revelou António Alves da Costa, explicando que todas as obras em exposição surgem num trabalho a quatro mãos, em que as diferenças entre ambos se destacam e complementam, num exercício de cumplicidade que se foi construindo.

“Funcionamos juntos até ao término das obras. Umas vezes partimos da fotografia e depois eu pinto, outras vezes a vela já está pintada quando o António decide onde colocar a fotografia”, descreveu Tim Madeira. 

Como descreve João Paulo Constância, no catálogo da exposição, “Tim Madeira, um multifacetado artista que se reparte entre a arquitetura, a pintura e a escultura, é , assumidamente um explorador irreverente e inquieto, que se entrega à transformação da cor e da forma, recriando a existência dos materiais, que constrói e desconstrói, com mestria e sentimento”.

Enquanto António Alves da Costa “capta a vida e o mundo pelas várias objetivas da sua câmara fotográfica e contorce as perspetivas usando as múltiplas aberturas e velocidades da sua imaginação. E assim, concorrem ambos para a construção de objetos artísticos, muito livres, algo aleatórios e experimentais, numa espécie de integração focal de técnicas e olhares”.

A exposição que agora é apresentada na Lagoa já passou por outros locais no continente, alterando-se e adaptando-se sempre ao local onde é apresentada.

“A exposição nasceu em 2018, tendo estado exposta no Centro Cultura Palácio do Egito em Oeiras, depois esteve em Setúbal e no Centro Cultural de Cascais” contaram, explicando que neste trajeto “há peças que vão saindo, outras que vão ficando, mas em cada exposição vamos criando novas peças”.

Nesse sentido dão o exemplo da a instalação “Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!” que foi criada especialmente para a exposição no Convento de Santo António a partir de materiais recolhidos nas praias de São Miguel.

E sobre as peças de forma irregular que criaram usando a vela como tela, referem que representam a sua forma de experimentar e criar a arte.

“Queremos criar um impacto visual, é como se fosse no fundo a nossa ode, a nossa viagem. E mostrar que a arte não é estanque podem-se usar os mais variados materiais e formatos”, começa por dizer AntónioAlves da Costa.

“Nós queremos experimentar e criar coisas”, conclui Tim Madeira.

A mostra fica patente até dia 1 de junho 2023.

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