PS quer clarificação sobre novo navio de investigação dos Açores

O deputado socialista Francisco César pediu uma clarificação das responsabilidades dos Açores e da República na gestão do novo navio de investigação do arquipélago



Na sequência de uma visita de deputados socialistas que integram a Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República e dos deputados do grupo parlamentar do PS na Assembleia Legislativa dos Açores ao Instituto de Investigação em Ciências do Mar (Okeanos), na Horta, ilha do Faial, Francisco César pediu esclarecimentos sobre a gestão, os custos de funcionamento e a utilização do novo navio de investigação.

Citado em comunicado, o deputado alertou para a “falta de planeamento de um investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que deve servir prioritariamente os Açores”, tendo referido uma “enorme confusão” em torno do futuro funcionamento do navio.

O deputado apontou a “ausência de respostas sobre quem ficará responsável pela gestão do navio, quanto custará a sua manutenção e de que forma poderá ser rentabilizado para suportar parte dos custos de funcionamento”.

Francisco César defende uma clarificação das responsabilidades das autoridades regionais e do papel que o Governo da República poderá assumir através da Marinha ou de outra instituição.

O parlamentar referiu que “há fundos europeus disponíveis, há fundos de Orçamento do Estado disponíveis”, frisando que permanece “uma nebulosa do ponto de vista das respostas que as autoridades regionais devem dar”.

Sobre o futuro dos trabalhadores do atual navio de investigação Arquipélago, o socialista afirmou que devem ser avaliadas possibilidades de reconversão para o novo navio, devendo existir diálogo com as entidades responsáveis pela tripulação.

Francisco César afirmou “não perceber porque é que não há qualquer tipo de reconversão dos trabalhadores para o novo navio”.

O deputado manifestou ainda preocupação com o tecnopolo MARTEC, que classificou como “um investimento estrutural para a Região Autónoma dos Açores”, com potencial para colocar o arquipélago na vanguarda da investigação marinha, nomeadamente na aquacultura e na biotecnologia, e afirmou que “não se percebe ainda o modelo de funcionamento”, sendo que “pelo menos metade do investimento está feito está paralisado”.

“Temos investimentos de milhões e milhões de euros. Isso não é compatível com o facto de nós não sabermos o que é que foi feito, o que é que estão a fazer e o que é que querem fazer com essas duas plataformas”, disse.

Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito da Componente C10 – Mar, o Azores Ocean integra o investimento do Cluster do Mar dos Açores e representa, no conjunto do navio, equipamentos científicos e veículo submarino operado remotamente, um investimento próximo dos 30 milhões de euros.

Com cerca de 46 metros de comprimento, propulsão diesel-elétrica e capacidade para realizar operações científicas multidisciplinares até grandes profundidades, o navio está equipado com sistemas avançados de batimetria, sonar, acústica submarina, monitorização ambiental e investigação do mar profundo.


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