Presidente do parlamento da Madeira aponta "sérias razões" de preocupação sobre estado da vida pública

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira afirmou que existem atualmente “sérias razões” de preocupação sobre o estado da vida pública em Portugal e alertou para a tensão política, como “terreno fértil” para os populismos e os radicalismos.



“A disputa entre órgãos de soberania enfraquece a nossa democracia, o confronto institucional descredibiliza o sistema político, esta tensão política provoca a descrença na governabilidade do país e é terreno fértil para os populismos e os radicalismos”, declarou José Manuel Rodrigues.

O presidente do parlamento madeirense, do CDS-PP, discursava na cerimónia comemorativa do 109.º aniversário da fundação do município da Ribeira Brava, na zona oeste da ilha.

José Manuel Rodrigues lamentou que “justamente no momento” em que deviam ser celebradas as conquistas do poder local e da autonomia, “das maiores realizações da democracia portuguesa”, surjam “nuvens pesadas sobre o sistema político nacional”.

“E temos sérias razões de preocupação sobre o estado da vida pública em Portugal”, considerou, argumentando que o país, “nas últimas décadas, teve um crescimento anémico de meio por cento, sendo ultrapassado por antigas repúblicas soviéticas”, com uma “dívida pública altíssima e perigosa” e “salários médios muito abaixo da média europeia”.

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira criticou ainda que, numa altura em que Portugal enfrenta as consequências da guerra na Ucrânia, “em vez de se concentrar na aplicação dos dinheiros da Europa ao seu dispor, é envolvido em episódios e crises desnecessárias, lamentáveis e inaceitáveis”.

“O caminho seguido é perigoso e pode descambar numa crise política sem fim que, em última instância, compromete o crescimento económico, atrasa a aplicação do Programa de Recuperação e Resiliência e trava o desenvolvimento do país”, defendeu.

José Manuel Rodrigues apontou ainda que “há quem esteja a pôr os seus interesses pessoais e partidários acima dos interesses nacionais”, para logo acrescentar: “Não me digam que é a democracia a funcionar. Para mim, é a democracia a degenerar”.

“Nós, que neste pedaço de terra procuramos construir Portugal no Atlântico, com empenho e trabalho, com virtudes e, certamente, com imperfeições, como é próprio do que é humano, não podemos deixar de lamentar e de lavrar o nosso protesto contra o que se passa na pátria comum”, reforçou.


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