PPM/Açores defende sistema de armazenamento de gás e perecíveis na ilha das Flores

O PPM/Açores defendeu a implementação de um sistema de armazenamento de gás e produtos perecíveis na ilha das Flores, frequentemente afetada por problemas de abastecimento devido a condições meteorológicas adversas, bem como promover a produção local de frescos.



“É preciso, como tem vindo a defender o presidente do Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM], criar uma reserva de gás na ilha das Flores, tal como existe no Corvo. No que se refere aos restantes produtos, é preciso criar um sistema de armazenamento de bens essenciais a elaborar por um grupo de trabalho, pensando também o armazenamento em grande escala para a construção civil. Tudo isto tem de ser pensado e lançado com urgência”, afirmou Paulo Estêvão.

O deputado do PPM falava no plenário que começou na Horta e no qual não estão presentes os deputados eleitos pela ilha das Flores, que está sem voos desde domingo.

Relativamente aos produtos frescos, na declaração política desta manhã, o parlamentar sugeriu a “criação de um sistema de estufas” para a sua produção.

“O que aqui se propõe, em nome do grupo parlamentar do PPM, na linha do já defendido pelo presidente do Governo Regional, são ideias e soluções simples, lógicas até. Falta fazer. Falta concretizar. Essa será a verdadeira mudança. Melhorar as capacidades já instaladas e fazer o que ainda falta fazer”, disse.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas revelou que o navio Margarethe, fretado pelo Governo para abastecer a ilha, já chegou ao arquipélago “e vai para as Flores”, após terem sido feitos abastecimentos por “dois aviões militares”.

A obra de emergência no porto das Flores deve ter o projeto “dentro de dias”, estando previsto que “comece em maio e acabe em setembro”, acrescentou.

Em reação à declaração política do PPM, o deputado do PS, Vasco Cordeiro, sugeriu ao Governo que aproveite a oportunidade para lançar, nas Flores, “um projeto específico de transição energética”, diminuindo a dependência do gás, um dos produtos que esteve em falta no último mês devido aos condicionamentos no porto comercial e às condições atmosféricas adversas.

Por outro lado, o socialista defendeu uma “melhor atenção e uma gestão micro do abastecimento às Flores, para garantir que lá chega o que é mais necessário a cada momento”.

António Lima, do BE, considerou a intervenção do PPM como uma “tentativa de encontrar um inimigo externo para desculpabilizar o atual governo pelas suas falhas”.

“Não sabia o governo, quando tomou posse, que as Flores tinham um problema sério de abastecimento e precisava de um sistema de armazenamento?”, questionou.

Considerando “pertinentes” os contributos do PPM para resolver o problema do abastecimento à ilha das Flores, o deputado Rui Martins, do CDS, afirmou que a proposta do PPM deve fazer “refletir” o parlamento e ser “alvo de estudos, até da capacidade do governo de fazer os investimentos necessários”.

João Bruto da Costa, do PSD, salientou a importância de os Açores, enquanto região autónoma arquipelágica, se manterem unidos perante o problema, elogiando as soluções já encontradas pelo atual Governo para o enfrentar.

O deputado independente, Carlos Furtado, questionou a aposta na produção de produtos frescos quando “há um ano se estava a falar no encerramento da Cooperativa Ocidental”, produtora de laticínios.

Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, considerou que a situação na ilha das Flores “é só mais uma trapalhada deste Governo”.

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