Meta defende supervisão parental dos jovens nas redes sociais

A Meta defende a supervisão parental das contas de utilizadores adolescentes e recusa que esteja com isso a transferir responsabilidades, assegurando que os pais querem ter o controlo sobre o que os filhos veem nas redes sociais



Antigone Davis, diretora global de segurança da empresa dona do Facebook e do Instagram, realiza esta semana uma visita a Portugal para se encontrar com decisores políticos e apresentar as ferramentas desenvolvidas para proteger os menores de conteúdos desadequados nas redes sociais.

No centro dessas ferramentas, a empresa desenvolveu a chamada “conta de adolescentes”, depois de um inquérito a milhares de pais em todo o mundo, incluindo 1.500 em Portugal, sobre que salvaguardas queriam ver implementadas.

“Eles (pais) identificaram três questões principais: com quem é que o seu adolescente está a comunicar, que tipo de conteúdos está a ver e, como esperávamos, quanto tempo passa nos nossos serviços”, explicou Antigone Davis num encontro com jornalistas em Lisboa.

Essas contas permitem por exemplo que um desconhecido não possa enviar mensagens ao adolescente, que seja o próprio jovem a aceitar que o pode seguir e que as notificações sejam desligadas durante a noite. Estas contas são ainda filtradas pela própria Meta para limitar conteúdos sensíveis, designadamente de ‘bullying’, ajustável pelos pais através de palavras-chave.

As definições da conta não podem ser alteradas pelo jovem, apenas pelos pais, que podem restringir ainda mais a utilização pelo filho.

“A ideia aqui é que os pais sejam a nossa Estrela do Norte”, afirmou a responsável da empresa, considerando que pode haver políticas da empresa para todos os menores, mas que são os pais quem melhor sabe aquilo que é necessário para o filho ou filha.

Para a Meta, devem ser os pais, quando adquirem um telemóvel para o filho, a indicar a idade do utilizador e definir que aplicações ele pode descarregar.

Para que a supervisão parental não seja uma intromissão na privacidade do jovem, explicou Antigone Davis, há também salvaguardas. Por exemplo, os pais podem ver com quem um filho troca mensagens e com que frequência, mas não o conteúdo das mensagens. Estas salvaguardas, frisou, são importantes para que os pais sintam que podem ter algum controlo sobre a atividade dos filhos, mas também que os filhos não resistam à participação dos pais na experiência online.

Quanto aos anúncios, a Meta usa dados como a geolocalização e a idade, não apresentando a um menor, por exemplo, anúncios sobre dietas, muitas vezes apontados como causadores de perturbações alimentares nos adolescentes. Dados que a empresa não guarda, assegura. Daí a importância de serem os pais a criar a conta e indicarem a idade do utilizador, o filho ou filha.

Antigone Davis acolhe positivamente a legislação aprovada em Portugal, que prevê o consentimento parental através, por exemplo, da chave móvel digital.

“Faz-se isso (a verificação) uma vez, na ‘app store’ (a plataforma que permite descarregar aplicações como o Facebook, o Instagram, entre outras) e a ‘app store’ regista essa informação para posteriores descarregamentos. É melhor para o utilizador não ter de fazer a verificação a cada descarregamento, porque a utilização repetida cria potenciais vulnerabilidades”, afirmou.

O parlamento português aprovou em fevereiro passado um projeto de lei que restringe o acesso a redes sociais para menores de 16 anos e exige consentimento parental expresso para jovens entre 13 e 16 anos.

“Desde que lançámos as contas de adolescente, os nossos números mostram que os jovens viram menos conteúdos prejudiciais, receberam menos contactos indesejados e passaram menos tempos na aplicação”, disse, concluindo que as ferramentas que criaram “estão a fazer progressos”.

“E o último ponto é mesmo importante. Sabíamos, quando lançámos a conta de adolescente, que havia uma possibilidade significativa de jovens passarem menos tempo na plataforma. E estamos ok com isso. As pessoas pensam que tudo o que queremos é maximizar o tempo que os jovens passam na nossa plataforma, mas tomámos a decisão naquele momento – queremos proporcionar uma determinada experiência e se isso significa menos tempo, está tudo bem”, assegurou a responsável da Meta.


PUB