Linha de prevenção do suicídio registou 191 chamadas associadas a doença mental

Desde a sua entrada em funcionamento, a linha atendeu cerca de 600 chamadas das quais 191 chamadas foram associadas a doença mental



Em cinco meses, a linha regional de prevenção do suicídio atendeu cerca de 600 chamadas, 191 com doença mental associada. O governo admite agora trocar o atual número pelo 1411, o número nacional, para evitar confusões.

“Nos últimos cinco meses, a linha atendeu cerca de 600 chamadas. Dessas 600 chamadas, em 191 foi possível identificar doença mental associada e foi possível encaminhar aqueles que apresentavam um risco imediato de suicídio”, afirmou a secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, na sessão de abertura das primeiras Jornadas de Psicologia da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM).

A linha 800 25 25 25, criada seguindo o que foi feito a nível nacional, funciona há menos de um ano, mas a governante admite que o serviço “tem de ser melhorado” e que “tem de ser dada mais capacidade de atuação”.

Segundo Mónica Seidi o número regional, 800 25 25 25, é “muito semelhante” a outros dois, o que tem gerado confusão. Por isso, o executivo está a estudar alternativas.
“Estamos a estudar a possibilidade, junto dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, de passar também a divulgar o 1411, que é o número que existe a nível nacional. Passaríamos assim a ter um número único, usufruindo do apoio dos técnicos da linha nacional, que poderão dar apoio à Região”, afirmou.

Sobre a taxa de suicídio, Mónica Seidi reconheceu que as notícias apontam para valores mais elevados na Região do que no continente, mas contrapôs que comparando várias regiões do país, a taxa “não é de todo mais elevada”. 

“A nossa dificuldade está em conseguir obter dados para fazer uma caracterização, quer seja da faixa etária, quer seja dos motivos que levam uma pessoa a cometer o ato de suicídio”, disse.

Nesse sentido a governante recordou o projeto pioneiro da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel com a comunidade escolar, o qual depois de avaliado, poderá ser replicado noutras ilhas e contextos.

Ainda na sua intervenção Mónica Seidi sublinhou que as nove unidades de saúde de ilha têm hoje uma equipa de saúde mental comunitária identificada, com cerca de 50 profissionais, entre médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. No entanto, reconheceu que o trabalho é “heterogéneo”, porque a maioria não se dedica só à saúde mental, e que há dificuldades de recrutamento nalgumas unidades.

Nos dados de atividade já apurados relativos às equipas de São Miguel, Corvo, Faial e Pico, foram realizados 1.176 atendimentos presenciais, 93 atendimentos domiciliários e 263 atendimentos não presenciais. O próximo desafio, disse, é “desenvolver indicadores de qualidade e uniformizar a atuação de todas as equipas”.

“O Governo Regional reconhece que há ainda um caminho a percorrer. [...] Vamos continuar a melhorar a resposta que é dada a todos os utentes, porque sozinhos não somos nada”, concluiu.

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