“A Iniciativa Liberal defende a transparência em qualquer processo e, portanto, havendo algum tipo de dúvidas sobre qualquer parte do processo que envolve as decisões que foram tomadas nos últimos anos relativamente à TAP, a Iniciativa Liberal tem sempre total abertura como interesse em que tudo seja esclarecido”, disse Rui Rocha no final de uma reunião com a administração do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
O líder da IL foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de o PS estar a ponderar chamar ao parlamento os responsáveis políticos pela privatização da TAP em 2015, feita num Governo PSD/CDS, após ter sido noticiado que David Neeleman terá concretizado essa operação com dinheiro da própria companhia aérea.
“Já sabíamos que tínhamos um processo de nacionalização, que era um processo que tinha consequências graves para os portugueses, nomeadamente do ponto de vista dos 3200 milhões que foram desperdiçados na TAP, sendo que os fundamentos que justificaram essa decisão, um a um, têm caído ao longo do tempo e encontramos agora uma situação em que se percebe que nada daquilo se justificava”, referiu.
Se a somar a isso, continuou Rui Rocha, “houver coisas pouco claras no processo que antecedeu essa nacionalização e, nomeadamente no processo privatização, pois que, tudo o que haja a investigar, se investigue”.
“Nós queremos transparência, quer nos negócios públicos, quer nos negócios privados, e, portanto, não queremos nem que os prejuízos públicos sejam passados para os privados, mas também não queremos que os prejuízos privados sejam passados para o Estado. Essa nossa posição de princípio e essa que manteremos em todo este processo”, disse.
Interrogado sobre a redução dos custos com o altar-palco da Jornada Mundial da Juventude, que foram hoje conhecidos, o líder da IL reiterou que “todas estas decisões de investimento têm que ser ditadas sempre pelo interesse dos contribuintes”.
Para Rui Rocha, “o bom senso não prevaleceu até agora” porque se avançou com projetos “com um custo que era manifestamente exagerado” e só agora se chegou “à conclusão que se pode ter a mesma utilidade com um custo menor”.
“Se o bom senso chega agora eu só tenho pena que ele não prevaleça sempre nestas decisões e que elas apareçam de forma pouco sensata no início dos processos. Felizmente, se é assim, o bom senso prevaleceu, mas não era preciso termos passado por todo este processo que no final descredibiliza também as instituições e degrada o contexto democrático e abre a porta depois a propostas populistas”, defendeu.
O custo do altar-palco da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa foi reduzido de 4,2 milhões para 2,9 milhões de euros, anunciou hoje o município, sublinhando que “até 25 milhões” do investimento camarário no evento “ficarão na cidade”.
