HDES “procurará ser parte da solução, nunca do problema”

Nova presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito Santo, Manuela Gomes de Menezes disse, na Comissão dos Assuntos Sociais, que na sua atuação irá colocar em primeiro lugar a valorização dos recursos humanos



A presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), recentemente nomeada pelo Governo Regional, garantiu que “o HDES procurará de modo proativo ser parte da solução, nunca do problema”, assegurando o seu “profundo sentido de responsabilidade para com esta missão”.

Ouvida na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, Manuela Gomes de Menezes disse aos deputados que vai privilegiar áreas de atuação como: a valorização dos recursos humanos; a eficiência da gestão hospitalar que passará pelas melhores práticas de gestão e a transformação digital; e ainda a articulação do HDES com os sistemas de saúde regional e nacional.

A nova presidente do conselho de administração afirmou que coloca “em primeiro lugar” a valorização dos recursos humanos. “O grande desafio do HDES é ter um quadro de profissionais robusto, eficiente e altamente qualificado para responder à missão deste hospital, onde os seus colaboradores se sintam valorizados e encontrem no HDES o local natural e de eleição para o seu crescimento profissional e pessoal, e sejam motivados pela prestação de cuidados de saúde de qualidade e humanizados”, sublinhou.

Para a economista, com especialização académica na área da Gestão dos Recursos Humanos, para que isso aconteça “há que promover uma cultura e um ambiente organizacional que valorize esta vontade e que esteja assente nas melhores práticas de gestão dos recursos humanos”.

A eficiência da gestão hospitalar é outro dos seus vetores de atuação. “Queremos que os objetivos do HDES sejam alcançados com o mínimo encargo possível”, sendo para isso necessário garantir “as melhores práticas de gestão executiva, de um modo geral e de gestão hospitalar, de um modo mais particular”.

Para Manuela Gomes de Menezes será também importante apostar na transformação digital global do HDES, de modo a garantir a eficiência e a integridade operacionais, bem como uma melhor interface com os utentes”; e “investir-se na digitalização de toda a informação do utente” que permita, por exemplo, evitar o extravio de exames que obriga à sua repetição.

Também para “haver ganhos de gestão”, a nova presidente do HDES considera que é necessária uma “verdadeira articulação e integração dos sistemas de informação de todos os hospitais da Região, Unidades de Saúde, centros de saúde, postos de saúde, e a criação de um processo clínico eletrónico único do utente ao nível do sistema regional de saúde”. Devendo do seu ponto de vista serem criadas novas formas de comunicação com os utentes, dando o exemplo de SMS para confirmação das consultas e exames complementares.

Manuela Gomes de Menezes elege ainda como importante para o seu mandato uma aposta na articulação do HDES com todo o Serviço Regional de Saúde e com o Serviço Nacional de Saúde, devendo o hospital de Ponta Delgada ser um “agente proativo” também na procura de sinergias entre público e privado, “inclusive numa lógica preventiva e de literacia da saúde”. E deu o exemplo da articulação ao nível da Urgência com os cuidados de saúde primários, aracionalizaçãointegradadas compras no setor da saúde, e a deslocação de profissionais de saúde do HDES a outras ilhas.

Perante algumas questões  dos deputados sobre medidas concretas a adotar, Manuela Gomes de Menezes sublinhou que só as poderá tornar públicas depois de, já no pleno das suas funções, ter acesso a informação completa e “auscultar as pessoas”. Foi o caso quando o deputado do PS Tiago Lopes a questionou sobre a situação financeira do HDES e o corte de 3,5 milhões de euros no orçamento do hospital.

Outra das questões abordadas por vários deputados foi a necessidade de atrair recursos humanos, tendo Manuela Gomes de Menezes considerado que um “clima organizacional em que reine a paz, a auscultação constante das necessidades e o dar resposta; (...) um clima de interação, de confiança e de credibilidade é um fator de atração”. Tendo garantido que o conselho de administração estará “sempre à disposição para  ouvir”.

Recorde-se que Manuela Gomes de Menezes foi nomeada para presidente do conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, depois de Cristina Fraga ter colocado o cargo à disposição no início de dezembro, na sequência de um clima de conflito interno com os médicos do hospital, que levou o presidente do Governo Regional a assumir a liderança das negociações com os médicos para a pacificação do clima interno no HDES.

Questionada por Tiago Lopes sobre as declarações do secretário regional da Saúde sobre a sua nomeação, em que Clélio Meneses diz que a sua escolha foi feita pelo Conselho do Governo, a nova presidente do HDES disse que, sendo o secretário regional da Saúde um dos membros do governo entendia que a sua resposta indica que o seu nome foi uma escolha sua também e consensualizada por todo o governo, o que a deixa “tranquila”, tendo vincado a abertura de Clélio Meneses para lhe prestar toda a informação que considerasse útil.


Conselho de administração mantém dois elementos da anterior equipa

A presidente do conselho de administração do Hospital Divino Espírito Santo nomeada pelo Governo Regional revelou, ontem, na Comissão dos Assuntos Sociais do parlamento regional, que vão manter-se na administração a enfermeira diretora Lúcia Rodrigues e o economista Luís Almeida.

Manuela Gomes de Menezes escusou-se a revelar os restantes novos membros da equipa quando questionada sobre isso  na comissão, mas acabou por dizer que será uma equipa multidisciplinar com profissionais da medicina, enfermagem, gestão, recursos humanos e da área jurídica. A presidente do conselho de administração do HDES disse que a divulgação dos nomes será feita em breve pelo Governo Regional.

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