Governo dos Açores quer cais de cruzeiros na Praia da Vitória

O Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) indicou a intenção de construir um cais de cruzeiros no porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira, apesar de a obra ser contestada por alguns partidos políticos.




“A partir deste momento, o cais de cruzeiros será designado por cais multiúsos. As peças de contratação dos estudos para o prolongamento do cais -12 (profundidade) estão concluídas e vamos seguir depois com o processo de candidatura ao PO 2030, onde estão previstos 30 milhões de euros, do fundo de coesão”, explicou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, na Assembleia Legislativa dos Açores, reunida na Horta.

A obra é contestada por Nuno Barata, deputado da Iniciativa Liberal e autor da sessão de perguntas sobre a ilha Terceira ao Governo, para quem o executivo devia antes investir na criação de condições para a construção e reparação naval no porto da Praia da Vitória.

O deputado recordou que as embarcações de pesca e de tráfego local da região, bem com os navios e rebocadores das empresas Atlânticoline e Portos dos Açores, têm de recorrer, atualmente, a estaleiros no continente português, ou em Espanha, para fazerem manutenção, quando esse trabalho podia ser feito na região, com uma poupança de “milhões de euros”.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, que tem a cargo a gestão dos portos da região, aproveitou a ocasião para criticar os anteriores governos socialistas, que acusou de terem deixado o património da região “ao abandono”.

“Foram 24 anos de governo que não cuidou do que devia cuidar”, lamentou, considerando ter existido “negligência” na gestão do parque de máquinas pesadas, nos portos e nas gruas” da região durante os executivos liderados pelo PS, que geriu a região entre 1996 e 2020.

Berta Cabral adiantou já ter dado instruções à empresa pública Portos dos Açores para avaliar da possibilidade de ser adjudicada a privados, a gestão das estruturas de reparação naval e do parque de invernagem da Praia da Vitória, no sentido de as renovar e rentabilizar.

Andreia Cardoso, deputada socialista, lembrou as promessas feitas em tempo de campanha eleitoral pelo atual presidente do Governo.

“O que fez José Manuel Bolieiro? Nada! Nada vezes nada! Nem um euro em 2022, nem um euro em 2023! Pior que isso, não se conhece a visão do Governo para aquela infraestrutura”, apontou a parlamentar do PS, referindo-se à indefinição do executivo sobre o porto da Praia da Vitória.

Paulo Gomes, deputado do PSD, recordou as contradições do PS quanto à construção de um cais de cruzeiros na Terceira.

“Durante anos, o PS andou a brincar com os terceirenses! Prometia em Angra, numa eleição autárquica. Daí a quatro anos, prometia na Praia, depois voltava a prometer em Angra!”, lembrou.

Também Pedro Pinto, do CDS, realçou a contradição, lembrando que a deputada socialista Andreia Cardoso defendeu a construção de um cais de cruzeiros para Angra do Heroísmo, quando foi candidata à presidência da Câmara Municipal daquele concelho, mas o seu partido defendia um cais de cruzeiros para a Praia da Vitória, quando estavam em causa as eleições regionais.

Durante a sessão de perguntas ao Governo, da autoria da Iniciativa Liberal, falou-se também do número de ligações aéreas entre o continente e a ilha Terceira, e entre a Terceira e os Estados Unidos da América, que tem vindo a registar altos e baixos.

Vera Pires, deputada do Bloco de Esquerda, entende que a privatização da companhia aérea Azores Air Lines poderá fazer diminuir, no futuro, o número de voos para a Terceira.

Artur Lima, vice-presidente do Governo, garante que a procura que se verifica, atualmente, pelo Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, demonstra o contrário.

“É mercado que tem de haver e é mercado que nunca souberam criar no passado. A prova é o número de voos que ultrapassou a capacidade máxima da aerogare civil das Lajes: 800 mil passageiros em 2022”, recordou o vice-presidente do executivo.

José Pacheco, deputado do Chega, questionou o Governo sobre o PREIT – Plano de Recuperação Económica da Ilha Terceira, anunciado pelos anteriores executivos socialistas, destinado a compensar a redução do contingente laboral na Base das Lajes, que, alegadamente, nunca foi posto em prática.

Foi Paulo Estêvão, deputado do PPM, quem deu a resposta: “A Terceira foi negligenciada pelos sucessivos governos socialistas, e o PREIT não foi mais do que um embuste para encobrir a falta de investimentos na ilha”.

Pedro Neves, deputado do PAN, lamentou que a Terceira esteja a perder “a sua relevância” a nível regional e nacional, recordando que a ilha perdeu 3.200 habitantes, de acordo com os últimos Censos, além de não conseguir cativar os jovens a permanecerem na ilha, devido à “falta de estratégia” do Governo.


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