Exames

Fenprof diz que modelo de remuneração dos exames afronta os professores

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou absolutamente inaceitável e uma afronta o modelo de remuneração anunciado pela tutela para os professores classificadores dos exames nacionais, nomeadamente o pagamento de um euro por resposta avaliada



“A Fenprof considera que este tratamento é uma afronta aos professores e uma ofensa à sua inteligência e dignidade profissional”, sublinha a federação, anunciando que vai denunciar a situação junto da Inspeção Geral de Educação e Ciência.

Em comunicado, no qual chama ao processo de classificação das provas de exame “uma verdadeira tragicomédia”, a Fenprof diz que “depois do caos, dos erros, das falhas do sistema e da desorganização que marcaram este processo, o Governo e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação parecem querer acrescentar uma nova dimensão ao escândalo: a forma como pretendem remunerar o trabalho extraordinário realizado pelos professores classificadores”.

A federação classifica de “absolutamente inaceitável” que “perante um processo que obrigou professores a trabalhar em condições excecionais e, em muitos casos, em dias suplementares de descanso semanal, se pretenda agora estabelecer uma compensação assente no pagamento de apenas um euro por resposta classificada”.

Na segunda-feira, o ministério da Educação, Ciência e Inovação informou que os professores classificadores dos exames nacionais do secundário vão receber um euro por cada resposta classificada e 12 euros por cada prova reapreciada.

Em comunicado, o ministério indicou ainda que os professores vão receber 10 euros por cada prova classificada em suporte físico (Geometria Descritiva e Desenho A) e 18 euros por cada prova classificada no âmbito de reclamação.

A medida aplica-se às provas classificadas na primeira e segunda fase, bem como na época especial.

Exigindo mais equidade no processo, a Fenprof lembra que “no mesmo período de uma hora, haverá professores que conseguiram classificar 20 itens e outros que, pelas características das provas, pelos procedimentos impostos ou pelas condições concretas do processo, não conseguiram classificar mais de seis”.

“Como pode o Ministério da Educação considerar justo um modelo que cria diferenças tão profundas na remuneração de um trabalho que foi realizado no cumprimento de uma convocatória oficial e de uma mesma responsabilidade? E que dizer dos professores que, por esta via, poderão receber uma compensação equivalente a apenas seis euros por hora de trabalho”, questiona.

Lembrando que “o ministro fez questão de assumir pessoalmente a condução deste processo e garantiu que, perante as dificuldades criadas pelo próprio sistema, seriam asseguradas as condições necessárias, incluindo o pagamento de trabalho extraordinário”, a Fenprof refere que “agora, perante o evidente falhanço do modelo montado pelo Ministério” se anuncie “uma remuneração que, em determinados casos, poderá ficar muito aquém do valor correspondente ao trabalho efetivamente realizado”.

“O Governo não pode exigir aos professores profissionalismo, rigor e disponibilidade quando é o próprio Ministério que falha na organização do processo e, depois, pretende desvalorizar o trabalho daqueles que foram chamados a corrigir os seus erros.

O ministro Fernando Alexandre deve explicações aos professores e basta de pedidos de desculpa”, acrescenta a federação.

Na segunda-feira, o ministério liderado por Fernando Alexandre realçou, na nota de imprensa, que a adoção da classificação digital de cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário "introduziu uma alteração significativa nos procedimentos dos professores classificadores e nos processos associados à classificação" e levou à "mobilização de um número significativo de docentes em cada fase de realização das provas".

"Importa, por isso, reconhecer o papel dos docentes no processo de avaliação externa, valorizando adequadamente o trabalho desenvolvido pelos classificadores e pelos relatores. Esse reconhecimento é particularmente necessário este ano, tendo em conta a generalização da classificação eletrónica, processo que, sendo de elevada complexidade, decorreu com constrangimentos que dificultaram o trabalho dos professores classificadores", pode ler-se.

O novo modelo registou diversas falhas técnicas que atrasaram todo o processo de correção e divulgação das classificações, sendo preciso rever o calendário dos exames.


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