O piloto Luís Miguel Rego, navegado por José Janela, correu para a vitória no XLV Explore Santa Maria Rallye e sagrou-se pentacampeão dos Açores de ralis. Depois de revalidar o título regional, o piloto micaelense assumiu que o principal objetivo traçado para a temporada está cumprido, destacando o trabalho desenvolvido ao longo do ano ao volante do Skoda Fabia RS Rally2.
“Esse era o objetivo. Todo o esforço em montar este projeto para este ano, com um carro de última geração, só podia ter como objetivo a conquista do título. Preparámos a prova e o campeonato da melhor forma possível, sempre com o mesmo profissionalismo e o mesmo afinco que nos são reconhecidos por toda a nossa equipa e pelos nossos patrocinadores”, afirmou, em entrevista ao Açoriano Oriental.
A conquista em Santa Maria teve, contudo, um significado especial para Luís Miguel Rego, que considera a “ilha do sol” um lugar particularmente importante para si e onde se sente em casa.
“Fizemos uma prova inteligente e sem pressão, porque não havia necessidade de ser o tudo ou nada. Ainda faltam três provas para o final do campeonato, mas havia a possibilidade de sermos já campeões em Santa Maria. Como é um local muito especial para mim, um rali de que gosto muito e que é quase como a minha segunda casa, era muito especial poder ser campeão aqui”, explicou.
A temporada tem sido, até ao momento, perfeita para a dupla Luís Miguel Rego/José Janela. O piloto micaelense venceu as seis provas já realizadas do Campeonato dos Açores de Ralis (CAR) em 2026, somando ainda o triunfo em todos os troços e Power Stages disputados.
“O campeonato, até agora, foi um pleno. Ganhámos todos os ralis, todos os troços e as Power Stages, o que também é um sinal do nosso comprometimento e da nossa rapidez. É também um facto que, em alguns ralis, tivemos não só superioridade pela experiência, mas também a nível de máquina”, reconheceu.
Apesar do domínio evidenciado ao longo da época, Luís Miguel Rego considera que a atual realidade do Campeonato dos Açores de Ralis resulta de um ciclo que o automobilismo regional já viveu no passado, defendendo a necessidade de recuperar a competitividade das temporadas anteriores.
“São ciclos. Já no passado aconteceu e não é o que queremos para o desporto automóvel. Queremos sempre mais competição, mas os ralis, infelizmente, às vezes têm ciclos. Tivemos várias eras, a era de Gustavo Louro, de Horácio Franco e de Ricardo Moura, em que durante muitos anos correram também sozinhos e com máquinas superiores à concorrência, sendo campeões por diversas vezes”, recordou. “Tenho sempre a esperança de que o nosso campeonato volte a ter a competitividade que tinha há uns anos”, acrescentou.
Nesse sentido, o pentacampeão açoriano considera que a presença de viaturas de última geração no campeonato regional é também fundamental para manter o interesse do público e promover a modalidade.
“É o que traz as pessoas à estrada, os amantes da modalidade e mesmo aqueles que não a acompanham de forma tão rigorosa querem sempre ver passar os carros mais espetaculares. Esse também é um esforço do nosso projeto: ter sempre um carro desses presente nos Açores. É uma forma de promover os nossos patrocinadores de uma maneira diferente e dar-lhes mais destaque”, salientou.
Já com o título assegurado, Luís Miguel Rego prepara-se para disputar a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel – By Azores Rallye sem a pressão de lutar pelos pontos do campeonato.
“Um dos pontos importantes de podermos selar o campeonato em Santa Maria era exatamente esse, de podermos fazer um Azores Rallye descomprometido de qualquer resultado pontual para o campeonato”, explicou.
O piloto micaelense pretende, assim, encarar a prova em casa de forma mais descontraída, mas sem esconder a ambição de lutar pela vitória.
“É o rali mais importante do campeonato, com mais projeção para todos os nossos patrocinadores. Estamos a correr em casa, frente à nossa família e, logicamente, queremos estar fortes e estar na luta pela vitória”, completou.
No âmbito do apoio do Governo Regional à participação em provas nacionais, Luís Miguel Rego terá ainda de disputar duas provas do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) na presente temporada. No entanto, a concretização desse calendário implica uma complexa gestão logística, uma vez que a equipa dispõe apenas de uma viatura.
“Nós apenas temos uma viatura. Independentemente de o Governo dar o apoio, que é de 65 mil euros, no meu entender só se justifica fazer essas duas provas num carro de categoria igual ao nosso, de forma a poder dar o máximo de retorno possível aos Açores. O aluguer de um carro desses para duas provas ultrapassa o orçamento que temos”, explicou.
“Isso faz com que tenhamos de correr com a nossa viatura própria e obriga-nos a fazer uma gestão logística muito grande. A partir de agora, com o campeonato também selado, é mais fácil conseguirmos gerir estas participações no exterior”, acrescentou.
A curta margem entre o Rali
da Água Transibérico Eurocidade Chaves-Verín e a Volta à Ilha de São
Miguel deverá, contudo, afastar a possibilidade de Luís Miguel Rego
marcar presença na prova que liga os dois países da Península Ibérica,
estando a sua primeira participação em solo continental prevista para
acontecer no Rallye Casinos do Algarve, agendado para os dias 2 e 3 de
outubro.
