Empresas norte-americanas interessadas em usar centro tecnológico espacial de Santa Maria

O Governo Regional dos Açores recebeu o interesse de empresas norte-americanas para utilização do futuro centro tecnológico espacial de Santa Maria, que deve começar a ser construído em 2027, disse o secretário regional dos Assuntos Parlamentares



“E a verdade é que tínhamos um conjunto de interessados, a começar logo pelo Space Rider, mas há outros projetos que já nos notificaram [e] agora também apareceram interesses por parte de empresas norte-americanas em fazer o regresso a Terra através de Santa Maria, o que mostra o potencial enorme dos Açores nesta matéria”, disse Paulo Estêvão.

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades falava aos jornalistas em Santa Maria, no último dia de uma visita estatutária do executivo açoriano.

Na altura referiu que a região, com a execução do referido projeto, vai ter a oportunidade de lançar satélites e de ser central em relação a missões de “regresso do espaço”.

“Este centro tecnológico espacial vai permitir aos Açores receber veículos espaciais que serão lançados a partir da Guiana, os Europeus ou de outros locais”, explicou.

O projeto de 15 milhões de euros de euros tem uma participação do Estado português de 12 milhões de euros e do Governo Regional dos Açores de 3 milhões de euros.

O governante referiu que, quando estiver concretizado, os Açores vão ter “um papel central” no que diz respeito aos projetos europeus, mas também a outros de outros pontos do globo, “porque existem já interessados também num país que é uma potência na área espacial, que é os Estados Unidos”.

Paulo Estêvão adiantou que o centro espacial na ilha de Santa Maria “vai demorar um ano” a ser construído, porque “tem que estar pronto para a missão do Space Rider, que irá realizar-se em 2028”.

Em abril, a Região Autónoma dos Açores passou a integrar oficialmente, como membro efetivo, o novo Grupo de Trabalho Interministerial para o Espaço, o que "consolida a estratégia abrangente" do arquipélago nesta área.

Em nota de imprensa, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, congratulou-se com a nova composição deste órgão de coordenação nacional, formalizada através do Despacho n.º 4643/2026, publicado no Diário da República.

O diploma “assegura a participação direta do Governo Regional dos Açores (e da Madeira) em todas as reuniões e processos de decisão estratégica”, lê-se na nota do executivo açoriano de coligação.

A inclusão das regiões autónomas é justificada com a “importância geoestratégica das ilhas atlânticas no contexto nacional e europeu”.

O documento reconhece expressamente que “o posicionamento dos Açores no Atlântico oferece um ponto de acesso e retorno espacial de elevado significado geoestratégico, algo que é reconhecido internacionalmente”.

Para o secretário regional, "esta presença ativa nas instâncias de decisão europeias e nacionais - nomeadamente na articulação de posições junto da Agência Espacial Europeia (ESA) e na União Europeia - já está a produzir efeitos práticos de enorme relevo para o arquipélago".

“A nossa participação já teve um resultado concreto: o avanço para a concretização da construção do Centro Tecnológico Espacial de Santa Maria, que irá receber a aterragem de veículos espaciais não tripulados”, destacou Paulo Estêvão.

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