Questionado pelo deputado social-democrata Paulo Moniz, o presidente da comissão de inquérito confirmou que a documentação já chegou à comissão.
“Como estamos todos em audições, não sei o quem em que condições e com que classificação”, disse Seguro Sanches.
No final das quatro audições da comissão de inquérito à TAP de hoje - que duraram no total quase oito horas - o tema desta documentação voltou à discussão inicialmente pela insistência de Paulo Moniz.
Seguro Sanches confirmou que "já chegaram bastantes documentos, alguns em formato digital, outros em formato papel" e que a partir de quinta-feira às 09:00 poderão estar acessíveis na sala de segurança porque há documentos classificados.
Paulo Moniz queria saber "onde é que para o parecer", se a informação "está toda legível" por não querer acreditar que "tenha vindo num formato de banda magnética muito démodé", esperando que não "seja um engano e seja um isqueiro da Bic".
Pela IL, Bernardo Blanco considerou "deplorável a forma como o Governo trata a comissão", aludindo ao envio da documentação num "CD ou numa disquete", reiterando que gostaria de receber a informação ainda hoje.
O presidente explicou que os trabalhos da comissão ainda decorriam e que precisava de "tempo para abrir o envelope", reiterando que quinta-feira estará tudo disponível na sala de segurança.
"Depois do que foi dito e desdito eu tenho alguma dificuldade em deitar a minha cabeça na almofada e dormir bem sem ver os documentos hoje", disse ainda Filipe Melo, do Chega.
Esta tarde, no plenário do parlamento, o ministro das Finanças tinha afirmado que a comissão de inquérito da TAP ia ter acesso hoje mesmo a toda a documentação sobre os processos de demissão dos presidentes executivo e do Conselho de Administração da empresa.
Esta garantia de Fernando Medina foi transmitida num debate sobre o Programa de Estabilidade acompanhado pelas ministras da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes. Estas duas ministras também estiveram envolvidas da controvérsia em torno da existência ou não de um parecer jurídico que fundamenta as demissões daqueles administradores da TAP.
Questionado pelos deputados Mariana Mortágua (Bloco de Esquerda), Hugo Carneiro (PSD) e Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal), o titular da pasta das Finanças respondeu: “Ainda hoje, a comissão parlamentar de inquérito [sobre a gestão da TAP] irá ter acesso a todos os documentos”.
“Irá ter acesso aos documentos que solicitou da primeira vez. E aqueles que aliás não solicitou dessa primeira vez e constituem a espinha dorsal do processo de demissão dos administradores da TAP”, declarou.
Nesta questão relativa ao tema da TAP, Fernando Medina considerou “deplorável a adjetivação” que ouviu nos últimos dias a propósito do envio dos documentos à comissão de inquérito.
“Deplorável de vários deputados. A ministra da Presidência esclareceu tudo”, sustentou.
De acordo com Fernando Medina, os deputados, agora, “poderão ver e poderão fazer uma segunda tentativa na criação de algo que não conseguiram demonstrar na primeira vez”.
“A mesma adjetivação que usaram - e que é tão imprópria na nossa vida democrática - foi derrotada na primeira vez. E será também derrotada nesta segunda vez”, acrescentou.
