TAP

Chega diz que "fica por esclarecer" responsabilidade do Governo

O presidente do Chega, André Ventura, considerou que fica por esclarecer qual a responsabilidade do Governo e do administrador financeiro da TAP no processo de atribuição da indemnização à ex-secretária de Estado Alexandra Reis.



Em declarações aos jornalistas, no parlamento, após a conferência de imprensa do Governo sobre o relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF), André Ventura defendeu que ficou por esclarecer "a responsabilidade direta do administrador financeiro, que é nomeado pelo ministro das Finanças" e a "responsabilidade do próprio executivo" neste caso.

“[O Governo] aqui fica como que protegido, como se a única responsabilidade disto tivesse sido de Alexandra Reis ou do ‘chairman’, ou da própria TAP", sustentou.

Para o dirigente do Chega, o Governo teve responsabilidades. "E é agora preciso perceber se João Leão [antigo ministro das Finanças] e outros, e o próprio Fernando Medina, não tiveram aqui responsabilidades e isso, o relatório para já não nos diz muito”, defendeu, insistindo na necessidade de “perceber qual a real responsabilidade do governo socialista nesta matéria”, sustentou.

Na ótica de Ventura, a exoneração do presidente do Conselho de Administração e a presidente executiva da TAP foi a “demonstração cabal” de que o Chega “tinha razão”.

“Era evidente e nós dissemo-lo desde o dia um, que a CEO da TAP não tinha condições para continuar e que isto estava a prejudicar gravemente o interesse nacional”, vincou.

Quanto à conclusão da Inspeção-Geral das Finanças de que o acordo celebrado para a saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, e o pedido da devolução da indemnização que lhe foi atribuída, o presidente do Chega disse que “não era preciso um grande esforço jurídico” para chegar a esta conclusão, salientando que o parecer é “juridicamente irrepreensível”.

“Não era muito difícil concluir isto tendo em conta o estatuto que há do gestor público e o facto de Alexandra Reis ter saído de uma empresa pública para ir trabalhar para outra empresa pública e ter sido secretária de Estado, tudo num intervalo temporal muito curto”, disse.

Questionado sobre a escolha de Luís Silva Rodrigues, que atualmente lidera a Sata, para assumir os cargos de presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da TAP, Ventura reconheceu-lhe "capacidade técnica" mas questionou "se havia necessidade de afetar o funcionamento de outra empresa, também ela de capitais públicos, que é a Sata, para resolver o problema da TAP" ou se "esta é uma solução provisória".

Na opinião de Ventura, na fase atual da companhia aérea, "não convinha ter lideranças provisórias, convinha uma liderança firme e estável".

"Ora tudo leva a crer, pela forma como foi apresentado, e porque vai continuar com funções na Sata também, que o novo gestor da TAP vai ser apenas provisoriamente, até à escolha de um gestor a tempo inteiro e definitivo. E eu acho que isso é mau", considerou.


PUB