Captação de fundos é forma de financiar o Azores Ocean

Azores Ocean poderá ser forma de “captar mais fundos de projetos de ciência e de investigação”. O navio vai também permitir aos investigadores açorianos realizar estudos “com outro nível de detalhe e com mais frequência”.




A “captação de  fundos de projetos de ciência e de investigação” pode ser uma das formas de financiar a utilização do Azores Ocean, o mais recente navio de investigação científica dos Açores.

Gui Menezes, diretor do OKEANOS- Instituto de Investigação em Ciências do Mar, afirma que o Azores Ocean, bem como todos os equipamentos nele presentes, irão permitir que exista mais facilidade em captar mais fundos e investimentos.

Outra possibilidade, sendo um modelo “utilizado em outros países”, é a definição de verbas para a utilização temporária do navio, sendo que os vários projetos existentes “poderiam concorrer a essa verba”.

“Tem que haver um acordo entre a Universidade e o Governo relativamente a esta questão. É um modelo possível e é o mais utilizado”, reforça.

Características do Azores Ocean
O investigador indica que o Azores Ocean é “uma mudança completa nas capacidades de investigação da Região”, estando preparado para realizar investigações em até cinco mil metros de profundidade e tendo a capacidade de permanecer mais tempo no mar, visto suportar condições climatéricas mais adversas comparativamente com o seu predecessor, o navio Arquipélago.

“É um navio com mais capacidade de investigação, mais tecnologia e mais equipamentos, alguns, inclusivamente, que nunca tínhamos utilizado cá na Região. Por exemplo, temos agora uma sonda multifeixe que nos vai permitir ver o relevo do fundo do mar com uma resolução que até agora não era possível”, explica.

“Também vamos conseguir operar um ROV, que é uma espécie de mini submarino operado remotamente que consegue atingir profundidades de até três mil metros. Graças a este dispositivo, vamos poder ver imagens, recolher amostras e visitar locais com outro tipo de qualidade”, complementa Gui Menezes.

O navio possui igualmente tecnologia que permite a recolha constante de dados do oceano, como “a temperatura ou a salinidade”. A existência de uma rede vai permitir a realização de “arrastos de meia água”, o que vai possibilitar o estudo de “uma componente oceânica muito importante”.

A importância do Arquipélago
O instituto utilizava, desde 1993, o navio Arquipélago para diversas atividades, tendo sido, “naquela época e ao longo de todos estes anos, muito importante”.

“O Arquipélago permitiu que se realizassem muitas campanhas. Por exemplo, realizou a monitorização de espécies de peixes com interesse comercial. O navio fez muitas campanhas ao longo destes anos”, esclarece.

“Em 1993, quando se obteve o Arquipélago houve, já na altura, um salto qualitativo que nos fez crescer em termos daquilo que era a investigação que nós fazíamos”, afirma.

Perspetivas de futuro
“Todos os anos, são realizadas, aqui nos Açores, campanhas por parte de institutos europeus. Nesses casos, os nossos colegas de outros países trazem os seus navios e permitem que subamos a bordo, de modo a serem realizadas parcerias”, descreve o investigador.

Graças ao Azores Ocean, os investigadores açorianos vão conseguir ter mais “independência” para a realização de campanhas de investigação, sendo possível proceder à realização de estudos “com outro nível de detalhe e com mais frequência”.

Numa fase inicial, vai ser realizada uma “campanha experimental”, para que os investigadores percebam de que forma funciona o navio. Para Gui Menezes, esta “fase de ambientação” é fundamental.

“Há alguns equipamentos com os quais não temos ainda muita prática e, portanto, vamos ter que ter aqui alguma formação e preparação, para depois irmos para campanhas mais a sério de forma mais consistente”, admite.

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