“Nesta quarta-feira de manhã, Jair Bolsonaro e eu vamos fazer uma chamada. Basicamente, estamos a construir uma estratégia para enfrentar a esquerda a nível internacional. E uma possibilidade que também estamos a elaborar é fazer uma espécie de congresso da direita na Argentina”, disse o pré-candidato presidencial da extrema-direita argentina, Javier Milei, ao canal de notícias TN na terça-feira à noite.
O congresso será discutido por videoconferência entre o deputado e economista ultraliberal Javier Milei, em Buenos Aires, e o ex-Presidente do Brasil Jair Bolsonaro, em Orlando, nos Estados Unidos, onde permanece desde o final do ano passado.
A reunião pretende traçar um caminho de vitória para Bolsonaro, sobretudo depois do atual Presidente brasileiro, Lula da Silva, dizer em Washington que “Bolsonaro jamais voltará à Presidência”. Antes disso, porém, a cimeira terá como prioridade imediata as eleições gerais na Argentina.
Em outubro, a Argentina poderá ser o primeiro país a pôr fim à chamada “onda rosa” de vitórias da esquerda na América do Sul, depois das significativas derrotas no Peru (2021), no Chile (2021), na Colômbia (2022) e no Brasil (2022).
Todas as consultoras indicam uma provável vitória da oposição de centro-direita que governou o país entre 2015 e 2019, quando foi derrotada pela esquerda peronista com os candidatos a Presidente, Alberto Fernández, e a vice, Cristina Kirchner. O índice de popularidade dos dois hoje não passa de 25%, dificultando uma reeleição na qual Alberto Fernández insiste, apesar dos números.
Javier Milei aposta em conseguir superar o peronismo e chegar a uma segunda volta contra o centro-direita, cujo candidato só deve ser conhecido depois das primárias de agosto.
Os candidatos mais cotados desse centro-direita, segundo as sondagens, são o ex-Presidente Mauricio Macri, o atual governador do Distrito Federal, Horacio Larreta, e a ex-ministra da Segurança de Macri, Patricia Bullrich.
Tanto Macri quanto Bullrich gozam da simpatia de Javier Milei, quem tem crescido em popularidade a ponto de ser possível um cenário de disputa entre o centro-direita e a extrema-direita, afastando o peronismo.
“Se eu estiver na segunda volta numa disputa contra Mauricio Macri ou contra Patricia Bullrich, significa que conseguimos derrotar a esquerda e que a Argentina se inclinou para o lado correto, independentemente do resultado”, indicou Milei.
Em sintonia com os argumentos do chamado bolsonarismo, Javier Milei descarta que tenha havido uma tentativa de golpe de Estado no dia 08 de janeiro em Brasília, quando milhares de pessoas atacaram as sedes dos Três Poderes.
“É uma grande mentira que pudesse haver um golpe de Estado. De um lado você tem as Forças Armadas, do outro, pessoas desarmadas. Que os desarmados possam derrotar os armados é estranho. Venderam outra mentira”, minimizou Milei, quem mantém constante contacto com um dos filhos do ex-Presidente brasileiro, Eduardo Bolsonaro.
Fazendo eco das versões instaladas pelo bolsonarismo sem apresentar nenhuma prova, Javier Milei acusou Lula da Silva de reprimir os manifestantes em vez de esclarecer que não houve fraude, numa inversão do ónus da prova.
“Terminemos com a outra mentira. Houve uma eleição muito turva no resultado. As pessoas estiveram durante 70 dias a pedir que esclarecessem as coisas, mas Lula não esclareceu as coisas. Reprimiu. Se ele tinha a verdade do lado dele, devia ter mostrado os dados. Que Lula demonstre que não houve fraude. Lula nunca se preocupou em esclarecer”, acusou Javier Milei.
