O Grupo BEL tem em marcha um projeto-piloto de agricultura regenerativa nos Açores. Em cinco explorações, em diferentes locais da ilha de São Miguel, estão a ser estudadas formas de melhorar a saúde dos solos, de forma a alcançar melhores pastagens, reduzir custos de produção e aumentar a área cultivada. Objetivo da indústria é ter todos os produtores neste programa até 2030.
Segundo explicou Rui Calouro, manager na BEL e responsável pelo programa “Vacas Felizes”, a agricultura regenerativa é um “método de conservação ou reestruturação de ecossistemas naturais. Envolvendo diversas práticas de agricultura sustentável, associado a uma gestão holística, que contribuem para a vitalidade do solo, pois o nosso objetivo principal é aumentar a saúde do solo”.
Consciente que os produtores açorianos estão limitados pelo espaço existente nas ilhas, Rui Calouro verificou que há uma “imensidão de solo que podemos explorar ainda mais. E essa exploração tem a ver com o próprio sistema radicular das plantas, que conseguem, com algumas práticas de agricultura regenerativa, penetrar mais no solo e ir buscar nutrientes onde elas hoje em dia não conseguem”.
São as chamadas “bacias de nutrientes”, zonas que atualmente não estão acessíveis, mas que podem ser desbloqueadas com uma diferente abordagem. Para isso foi iniciado um processo de análise aos solos, dados que vão permitir melhorar a saúde dos terrenos, “especificamente com a introdução de cálcio, pois com a produção de leite, exportamos muito cálcio que não é depois reposto no ecossistema”.
Mas a agricultura regenerativa não se fica por retificar as carências nutritivas do solo, indo mais além, com uma gestão holística de pastoreio. “Ou seja, com pastoreio planeado dos animais, vamos introduzir pastagens biodiversas que vão permitir outros sistemas radiculares que hoje em dia não temos, como raízes pivotantes, que conseguem entrar no solo e criar canais que tornam os nutrientes mais acessíveis, solo mais arejado e melhor infiltração de água”, refere Rui Calouro.
Outra técnica que querem implementar é a chamada cover crop, ou seja, “não queremos que o solo fique descoberto nunca, para que esses nutrientes não vão para o mar e fiquem no solo, bem aproveitados com as plantas certas e o gradiente de pastoreio correto”, evitando a destruição do ecossistema do solo.
Consciente que aumentar a vida de
um solo não é feita “num estalar de dedos”, o responsável da BEL
sublinha que é necessário “criar condições para isso” e que este tipo de
agricultura “não é só regenerar mas também conservar aquilo que está
bem”. E para apoiar a implementação deste projeto, a Bel conta com “uma
série de consultores, dos melhores do mundo, que nos ajudam nas
decisões”.
“Tudo isso é um conceito de sustentabilidade, que vai
permitir que o produtor seja mais resiliente às alterações climáticas,
ao mesmo tempo que reduz custos de produção”, acrescenta.
Um dos produtores do programa, Luís Gonzaga Pereira, da Maia, reconhece que “o desempenho do solo é a parte mais importante na cadeia de leite biológico” e que, melhorando-o, serão alcançados melhores resultados.
“Se
tiver uma boa pastagem, um bom planeamento de pastagem, uma boa
variedade de plantas que compõem uma alimentação melhor para os meus
animais, com certeza que vão produzir leite de melhor qualidade. E com
isto, um sistema sustentável, que vai possibilitar uma melhor vida para
mim e para os meus trabalhadores, disponibilizando um produto de
primeiríssima qualidade para o consumidor”.
