António Lima, que escolheu para anunciar a iniciativa uma casa, propriedade da região, em estado de degradação, que já esteve à venda, em Ponta Delgada, referiu que se pretende que “os imóveis da região, que são urbanos, suscetíveis de serem reabilitados e colocados a arrendar, não possam ser vendidos”.
O deputado pretende que seja dada “prioridade à sua reabilitação e que sejam arrendados a preços acessíveis que as pessoas possam efetivamente pagar com os salários reais que têm nos Açores, que são baixos”.
“Não é possível permitir que um governo desbarate esses imóveis, terrenos e essa casa, transformando-a em mais um hotel”, afirmou, para frisar que se necessita, sim, “é de casas para viver”.
António Lima adiantou que o Governo dos Açores tem vários imóveis e terrenos à venda, como é caso de um outro terreno em Ponta Delgada, de dois mil metros quadrados, junto à Universidade, bem como casas devolutas em outras ilhas.
O parlamentar destacou que o preço das casas nos Açores subiu 23% em 2026, o “maior aumento do país, a par de outra região”, referindo que o Governo Regional, “em vez de reabilitar os seus imóveis, está a portar-se como uma verdadeira imobiliária” quando os devia arrendar.
“Este exemplo revela que o Governo Regional não só não resolve o problema da habitação como o agrava. Esta casa, e outras que estão à venda, da região, provavelmente serão mais um hotel ou alojamento local, o que não vai resolver problema nenhum de habitação”, afirmou.
Um relatório saído do recente seminário “A Crise da Habitação nos Açores”, elaborado com os contributos de um grupo de investigadores, especialistas e representantes da sociedade civil, revela que o problema da habitação afeta as “populações mais vulneráveis e empobrecidas” e “a maior parte das pessoas das classes médias”, o que acaba por contribuir para o aumento das “clivagens sociais e políticas”.
Acrescem fatores característicos da região como “o isolamento geográfico, a posição ultraperiférica, as desigualdades estruturais e as tendências demográficas”, que contribuem para que “esta crise ganhe contornos particularmente preocupantes”.
Ao nível autárquico, os dados das 10 Estratégias Locais de Habitação aprovadas contabilizam 3.046 situações de indignidade habitacional, números que “muito provavelmente estarão subestimados e desatualizados”.
