Atlantic Innovation Week é montra da ciência que se faz nos Açores

Praia da Vitória acolheu a segunda edição do AIW , evento que permitiu “discutir soluções e recolher informação de boas práticas para problemas que a sociedade global tem de resolver, mas também ser uma montra do que de bem se faz nos Açores”



O diretor executivo do TERINOV, Duarte Pimentel, afirma que a segunda edição do Atlantic Innovation Week (AIW) foi uma montra da ciência que faz nos Açores.

A segunda edição do AIW decorreu durante esta semana na Praia da Vitória, numa organização do AIR Centre –Atlantic International Research Centre e do TERINOV –Parque de Ciência e Tecnologia da ilha Terceira, em parceria com a Câmara Municipal.

“Acreditamos que este é o maior evento científico anual que os Açores recebem, o qual queremos continuar a fazer, porque nos permitiu discutir soluções e recolher informação de boas práticas para problemas que a sociedade global tem de resolver, mas também por ser uma montra do que de bem se faz nos Açores”, afirmou Duarte Pimentel ao Açoriano Oriental, no final do evento.

Ainda sobre evento, no qual participaram 140 pessoas e que contou com 50 oradores internacionais, o diretor executivo do TERINOV destacou que o debate sobre temas como as questões das alterações climáticas, da destruição dos habitats naturais, dos desafios demográficos e que a disrupção tecnológica tem trazido à sociedade, “permitiu pensar alguns projetos e até medidas do ponto de vista político que permitam dar resposta a estes desafios”.

Outro momento destacado relaciona-se com o facto de o AIW ter permitido apresentar o que de melhor se faz nos Açores. “Não só se realizou um evento de recolha de opiniões de especialistas das diferentes áreas, como houve partilha das boas experiências do que tem sido bem feito nos Açores. Já começam a olhar para nós com um player em determinadas áreas que tem contributos a dar ao resto do mundo e que tem apresentado soluções na ótica de laboratório vivo que são facilmente escaláveis para o que será necessário fazer no futuro”, destacou.

Por outro referiu que o último dia foi dedicado à apresentação de alguns projetos que o ecossistema científico e empresarial do TERINOV lidera de um ponto de vista internacional, contando com a participação de algumas escolas do concelho da Praia da Vitória, o que permitiu “desempenhar um papel efetivo na promoção e comunicação de ciência e mostrar que é possível fazer carreira nos Açores”.


Desenvolvimento tecnológico e científico deve ser liderado por empresas
O diretor executivo do TERINOV, Duarte Pimentel, defendeu que o desenvolvimento tecnológico e científico das Regiões deve ser liderado pelas empresas, destacando o papel que o Parque de Ciência e Tecnologia tem desempenhado na consecução desta ideia.

“Do ponto de vista dos projetos, o TERINOV enquanto instituição, tem 10 projetos, nos quais é copromotor juntamente com empresas. E isto é muito importante, porque responde ao desafio de, no futuro, serem as empresas a liderar o desenvolvimento tecnológico e científico das regiões”, realçou.

Destes projetos, Duarte Pimentel destacou o “Sistema de alerta Phitomyces”, que está a ser desenvolvido pelo TERINOV, em parceria com o AIR Centre, e é liderado pela Unicol.

O projeto visa desenvolver uma plataforma que permite prever o surgimento do fungo Phitomyces chartarum que surge nas pastagens dos Açores e da Nova Zelândia, causando reações cutâneas graves e reduzindo a produção das vacas que o ingerem, o que provoca perdas económicas muito significativas para a produção agrícola.
“Através de tecnologia de prevenção, como a monitorização remota dos solos, medimos a temperatura e humidade prevendo o risco de proliferação do fungo. Desta forma, sempre que esse risco aumenta, emitimos um alerta para o agricultor a aconselhar o manuseio do gado da parcela A para a B”, explicou.

Outro projeto, que é financiado pelos EEA Grants e liderado pela Circular Blue, empresa que detém a marca Nieta Atelier, procura através de desperdícios de artes de pesca e de algas invasoras perceber o potencial de criação de novas fibras para a indústria têxtil e a construção civil. “Mais um exemplo de ciência aplicada que tenta resolver problemas da sociedade”, destacou.

Atualmente, o TERINOV acolhe 72 entidades, das quais 65 são projetos de natureza empresarial - entre start up, PME e alguns projetos que ainda estão em fase inicial de incubação - e sete entidades científicas.

“Afirmamo-nos como um dos principais polos de massa crítica dos Açores, com 270 profissionais altamente qualificados a trabalhar diariamente no TERINOV, dos quais 20 doutorados a trabalhar em contexto empresarial”, afirmou, realçando: “Temos 11 nacionalidades no parque, o que mostra que também que é possível fazer atração e retenção de talentos internacionais nos Açores, desde que os ecossistemas tenham essa capacidade e o estímulo contínuo, e proporcionem potencial de carreira”.


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