Connect Açores 2026

Açores desafiados a acelerar a transformação digital para ganhar competitividade

Connect Açores 2026 reuniu em Ponta Delgada empresários e especialistas para debater inteligência artificial, conectividade e dados



A inteligência artificial (IA), a conectividade e a utilização estratégica de dados estiveram no centro do Connect Açores 2026, iniciativa da MEO Empresas que decorreu a 14 de outubro no Grand Hotel Açores Atlântico, em Ponta Delgada. O encontro juntou dezenas de empresários, gestores e profissionais para debater o papel da tecnologia na competitividade das empresas, na modernização dos serviços e no turismo.
A transformação digital foi apontada como um desafio que exige mais do que novas ferramentas: implica rever processos, melhorar a capacidade de decisão e garantir que a tecnologia responde a necessidades concretas.

 
Tecnologia ao serviço da Região
Na sessão de abertura, Gonçalo Oliveira, Chief B2B Officer da MEO, destacou a aposta da MEO no território dos Açores. Reconhecendo que a dinâmica empresarial varia de região para região, salientou o esforço da MEO para democratizar o acesso às novas tecnologias, à inovação e à resiliência digital, tanto para as grandes empresas como para as micro e pequenas empresas. O responsável reforçou a ambição de transformar os Açores numa capital tecnológica de Portugal, sublinhando que a região dispõe de um tecido empresarial vibrante, com profissionais altamente motivados e com forte curiosidade sobre tecnologia. Deixou o repto aos empresários: mais do que debater o que foi mais interessante na conferência, o verdadeiro desafio é refletir sobre o que fazer a seguir, aproveitando o período da tarde para potenciar o uso da tecnologia no contexto de cada organização. Destacou ainda o investimento contínuo da MEO em infraestruturas críticas na região, como a conclusão de equipamentos para melhorar a cobertura no centro da ilha das Flores, beneficiando residentes, visitantes e trilhos pedestres, garantindo que as empresas açorianas dispõem de ferramentas de escala global a partir de qualquer ponto do arquipélago.  Já Bruno Belo, Diretor Regional do Empreendedorismo e Competitividade do Governo dos Açores, sublinhou que a digitalização deve abranger a Administração Pública e não se limitar a passar documentos de papel para formato digital, devendo simplificar procedimentos e melhorar os serviços aos cidadãos. O Hospital Digital foi apontado como exemplo.
O responsável revelou que foram atribuídos mais de 14 milhões de euros a 1.039 projetos de transição digital, num investimento global de 25 milhões de euros. O programa Construir 2030 recebeu mais de 1.500 candidaturas, com um investimento próximo dos 750 milhões de euros.

A IA como ferramenta de trabalho diária
Rogério Canhoto, Gestor, Professor e Especialista em Inteligência Artificial aplicada à Gestão, desafiou os presentes a encarar os novos agentes de IA não como uma ameaça distante, mas como uma ferramenta do quotidiano. Defendeu que as empresas devem começar por identificar tarefas repetitivas e administrativas em que a tecnologia reduza o tempo de execução e liberte recursos para atividades de maior valor.
Entre os exemplos, a produção de conteúdos semanais poderia passar de três horas para cerca de 30 minutos e uma proposta comercial, de três horas para dez minutos. Foram ainda mostradas aplicações no apoio comercial, na manutenção de redes, no atendimento ao cliente e nos recursos humanos.
A mensagem central foi clara: a IA não deve ser adotada por seguir uma tendência, mas partir de problemas identificados e de objetivos mensuráveis, com validação humana e atenção à cibersegurança e à desinformação. A tecnologia não substitui as pessoas, mas quem souber usá-la acabará por ultrapassar quem a ignora, e não está reservada às grandes empresas.

Turismo Inteligente: Dados, Conectividade e Experiência do Visitante
O  primeiro painel sobre a experiência do visitante, moderado por Paulo Pereira, Responsável pela Estratégia de Inteligência Artificial Empresarial e Desenvolvimento de Negócios da MEO Empresas, contou com António Paixão, Diretor de TI do Pestana Hotel Group, Nuno Almeida, Diretor da Área de Mobilidade Empresarial da Samsung, e Teresa Borges Tiago, Diretora do Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico da Universidade dos Açores. Os participantes deste painel indicaram que os dados recolhidos, ao longo de viagens, ajudam a conhecer melhor os visitantes, mas estão dispersos por várias plataformas, dificultando uma visão integrada. Nuno Almeida (Samsung) salientou o conceito “One Samsung” focado na interoperabilidade de dispositivos, apontando a privacidade como linha vermelha em que o visitante controla os seus dados.
Do lado dos operadores, destacou-se a “experiência digital invisível”, que agiliza processos como o check-in sem descurar a autenticidade do acolhimento açoriano. A IA poderá apoiar o recrutamento e o acesso a procedimentos internos (mantendo a decisão final humana), traduzir sinalética ou sugerir itinerários para turistas e residentes.

Resiliência Operacional: garantir que o negócio nunca pára
O segundo painel da conferência centrou-se na resiliência operacional, contando com as intervenções de Rui Pereira (Diretor de Soluções de Redes e Segurança da MEO Empresas), Paulo André (Presidente do Conselho de Administração da EDA – Eletricidade dos Açores), Pedro Batista (Diretor Regional das Comunicações e da Transição Digital do Governo dos Açores), Pedro Pinto (Diretor-Geral da Fujitsu) e moderação académica a cargo de Flávio Tiago (Professor Associado da Universidade dos Açores).
Durante o debate, defendeu-se a criação de ferramentas de apoio à decisão para as pequenas empresas, face às assimetrias do arquipélago.
A conectividade foi apontada como condição fundamental  para o funcionamento de serviços digitais e soluções baseadas em dados. O encontro terminou com um apelo de Luís Cabral, Diretor Comercial Açores da MEO: identificar oportunidades concretas, definir prioridades e procurar apoio especializado. Para os Açores, a transformação digital surge como ferramenta para reforçar a competitividade e preparar as empresas para novos desafios.