Vendas dos hipermercados sobem 1,8% no 1º semestre impulsionadas pelo setor alimentar

Vendas dos hipermercados sobem 1,8% no 1º semestre impulsionadas pelo setor alimentar

 

Lusa/AO Online   Economia   13 de Set de 2016, 12:57

As vendas dos hipermercados aumentaram 1,8% no primeiro semestre para 8,6 mil milhões de euros, impulsionadas pelo setor alimentar e pelo 'salto'' no consumo de perecíveis, como as frutas e legumes.

 

Os dados do barómetro de vendas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) foram hoje apresentados pela diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo de Morais, que se mostrou satisfeita com o desempenho das vendas nos primeiros seis meses, mas prudente quanto ao segundo semestre devido à "instabilidade" nos comportamentos de consumo.

"Os consumidores estão cada vez mais voláteis", afirmou, acrescentando que os indicadores de confiança na evolução da economia e do país têm tido "grandes subidas e grandes descidas" e mostrando "alguma prudência" quanto às perspetivas até ao final do ano, face à instabilidade do comportamento do consumidor "que é capaz de travar de repente e influencia todo o comportamento do mercado".

Decisivo poderá ser o próximo Orçamento do Estado: "estamos muito atentos ao que se vai discutir. Já há uma elevada carga fiscal sobre as famílias e onerar ainda mais terá imediatamente impacto sobre o consumo", alertou a responsável da APED.

No retalho alimentar, o volume de negócios das empresas representadas pela APED cresceu 3,5% para cinco mil milhões de euros, com destaque para o aumento de 9,8% da categoria Perecíveis.

A diretora-geral da associação que representa os hipermercados sublinhou que esta terá sido a altura em que se registou um "salto maior" desta categoria, associando a tendência às preocupações dos consumidores com saúde e bem-estar.

"O aumento muito expressivo dos perecíveis, como as frutas, legumes e vegetais indica que há alterações de consumo e maiores preocupações com a saúde e bem-estar", disse Ana Isabel Trigo de Morais.

Questionada se esta subida foi também influenciada pelo baixo preço das matérias-primas, afirmou que resulta de vários fatores, incluindo o investimento forte dos retalhistas nesta categoria e a grande variedade de produtos nacionais disponíveis.

Já a categoria dos Laticínios destacou-se pela negativa, com uma quebra de 2,4%

"Estamos preocupados com a diminuição cada vez mais expressiva dos consumos de leite", admitiu a diretora-geral da APED, rejeitando responsabilidades da distribuição nos problemas do setor.

Ana Isabel Trigo de Morais salientou que as importações de leite têm vindo a diminuir (de 20% em 2010 para 14% em 2015) e apelou à realização de uma campanha para aumentar o consumo de leite e "desmistificar" mitos sobre os alegados impactos deste alimento para a saúde humana.

Notou, por outro lado, que existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura, já que a Europa continua a produzir mais leite do que consome, adiantando que a resolução das dificuldades dos produtores de leite passa "muito por decisões políticas", devido ao fim das quotas leiteiras.

Assinalou ainda que apesar de haver quebra no consumo de leite, tem aumentado o consumo de produtos transformados como a manteiga e o queijo, incentivando a produção e a indústria a acompanharem "as alterações de padrão de preferências do consumidor", disponibilizando outras categorias de produtos.

O retalho não alimentar apresentou uma queda de 0,7% face ao período homólogo, o que, segundo a responsável da APED foi "altamente influenciado" pelo consumo de combustíveis, cujos preços são inferiores aos do primeiro semestre de 2015.

O mercado de Linha branca (equipamentos para o lar como máquinas de lavar roupa e loiça e frigoríficos) foi o que mais cresceu (11%), aumentando a faturação para 202 milhões de euros entre janeiro e junho de 2016 face ao semestre homólogo, em contraste com a Fotografia, que perdeu 13,8% para 25 milhões de euros.

 

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