Vasco Cordeiro quer que EUA honrem relação histórica de lealdade e respeito mútuo

Vasco Cordeiro quer que EUA honrem relação histórica de lealdade e respeito mútuo

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Abr de 2015, 13:32

O presidente do Governo dos Açores pediu hoje aos Estados Unidos para, no caso da base das Lajes, honrarem a histórica relação de "lealdade e respeito mútuo" que existe entre norte-americanos e portugueses.

"Os tempos são exigentes no que respeita ao compromisso com a verdade, a lealdade e o respeito mútuo que enformam a histórica relação entre os Estados Unidos da América e Portugal, entre os Estados Unidos da América e os Açores", afirmou Vasco Cordeiro, na abertura do IV Fórum Franklin D. Roosevelt, nas Lajes do Pico.

Falando para uma assembleia em que estava presente o embaixador dos EUA em Portugal, Robert Sherman, Vasco Cordeiro invocou precisamente a política da "boa vizinhança" de Roosevelt para exprimir aquilo que espera dos EUA no que toca ao desfecho da questão das Lajes, depois de os norte-americanos terem confirmado em janeiro que vão reduzir o contingente militar que têm nos Açores.

Vasco Cordeiro citou Roosevelt, quando tomou posse pela primeira vez como presidente dos Estados Unidos, em 1933, e defendeu a "política da boa vizinhança" com outros Estados, dizendo que os vizinhos devem respeitar-se a si próprios e os direitos dos outros, assim como respeitar as suas obrigações e "a santidade" dos acordos que se estabelecem com outros países.

O presidente do executivo açoriano disse acreditar que "com firmeza e trabalho", será possível ultrapassar "este momento de tensão e desafio à solidez" da relação entre os EUA e Portugal e os EUA e os Açores, sublinhando que não é possível isolar a questão das Lajes das restantes dimensões do relacionamento entre os dois países.

"Não é possível, em boa-fé, esperar, e muito menos dizer, que a intenção norte-americana anunciada no passado dia 08 de janeiro, quer na sua forma, quer na sua substância, não terá impacto na totalidade dessa relação", sublinhou.

Vasco Cordeiro sublinhou que este fórum, criado em 2008, não é sobre os Açores, mas "um momento" para discutir temas a partir dos Açores, dada a sua posição geoestratégica e a sua "natureza de pilar da relação transatlântica".

"Hoje, essa conceção pode ser reforçada com as novas fronteiras do conhecimento do mar, com a exploração de recursos e com a potenciação de parcerias e alianças que vão além da vertente exclusivamente militar", acrescentou.

A este propósito, lembrou que o mar dos Açores "enquanto subárea da Zona Económica Exclusiva de Portugal" tem cerca de um milhão de quilómetros quadrados, alertando para as potencialidades que se abrem com o processo de alargamento do Canal do Panamá ("que conduzirá a um previsível aumento do tráfego marítimo internacional nesta zona") e o acordo comercial entre os EUA e a Europa que está a ser negociado.

Para Vasco Cordeiro, há um "conjunto de evidências" que "reafirmam" a "centralidade" dos Açores "na interseção entre a Europa e os EUA".

"É minha firme convicção que a região e o país podem ter muito ganhar se, às funções históricas e diplomáticas já firmadas, em particular assentes na longa presença do contingente militar norte-americano na ilha Terceira, conseguirmos, em conjunto, acrescentar outras valências que permitam retirar todo o potencial geoestratégico que os Açores apresentam e que continua evidente", acrescentou.


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