EUA empenhados em ajudar Açores, mas iniciativa tem de ser dos açorianos - embaixador


 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Abr de 2015, 13:34

O embaixador dos Estados Unidos em Portugal disse hoje que os EUA estão empenhados em honrar as suas obrigações com os Açores, apoiando projetos que criem emprego e riqueza, mas sublinhou que a iniciativa tem de partir dos açorianos.

"Os passos iniciais têm de vir do povo dos Açores, nós não conseguimos oferecer uma solução. Isso é irrealista. Não conseguiríamos fazer isso em Boston ou em S. Francisco ou em Filadélfia. O começo dessas soluções tem de vir das populações locais", afirmou Robert Sherman, que acrescentou que são os açorianos que têm de ter "as ideias" que depois os EUA poderão alimentar, apoiar e ajudar a crescer, para serem bem-sucedidas.

"Estou pessoalmente empenhado nisso e esta é uma prioridade de Embaixada [dos EUA em Portugal]", garantiu.

O embaixador falava aos jornalistas à margem do IV Fórum Franklin D. Roosevelt e depois de ter sido confrontado com as declarações do presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, na abertura dos trabalhos, sobre a questão da base das Lajes.

Robert Sherman reiterou que os EUA têm uma "obrigação moral" em relação aos Açores e disse concordar com a citação de Roosevelt usada por Vasco Cordeiro sobre a "política de boa vizinhança" entre Estados.

"A forma como podemos honrar as nossas obrigações como vizinhos é ajudar no desenvolvimento de atividades económicas nos Açores", disse Robert Sherman, que considerou que "não faz qualquer sentido" que haja na ilha Terceira uma dependência de um único empregador, seja ele uma empresa ou a Força Aérea dos EUA.

O embaixador enfatizou que os EUA estão comprometidos em ajudar a procurar e a pôr no terreno programas e projetos que construam uma nova base económica para a Terceira e criem novos postos de trabalho e indústrias.

"É isso que podemos fazer para ajudar o povo dos Açores", enfatizou.

O Fórum Franklin D. Roosevelt é organizado a cada dois anos pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e pelo Governo dos Açores, tendo esta edição como tema "estratégias de desenvolvimento sustentável"

Durante a intervenção que fez na sessão de abertura do fórum, Robert Sherman revelou que a embaixada dos EUA em Portugal pretende levar para os Açores programas de apoio e outras iniciativas relacionadas com a promoção do empreendedorismo.

O embaixador destacou ainda as oportunidades que se adivinham para setores como a agricultura açoriana com o acordo comercial que está a ser negociado entre os EUA e a Europa ou as potencialidades associadas à exploração do mar.

Dizendo que aquilo de que os Açores precisam é de identificar oportunidades e as suas mais-valias, sublinhou o empenho dos EUA em estabelecer parcerias locais, regionais e nacionais para as mesmas serem aproveitadas.

Quanto ao presidente da FLAD, Vasco Rato, sublinhou a pertinência do tema do "desenvolvimento económico dos Açores" escolhido para este fórum num momento em que se debate a questão do impacto no arquipélago da redução norte-americana nas Lajes.

"O desenvolvimento dos Açores é um pilar fundamental e estratégico da FLAD", afirmou, dizendo que a fundação tem interesse, "mais do que nunca" em encontrar soluções "práticas" e "exequíveis" que permitam à região ultrapassar os seus problemas.

 



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