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Vantagem de Hillary no voto popular relança debate sobre modelo eleitoral

Vantagem de Hillary no voto popular relança debate sobre modelo eleitoral

 

Lusa/AO Online   Internacional   10 de Nov de 2016, 07:17

Se a tendência se confirmar nos números finais, Donald Trump terá sido eleito Presidente dos Estados Unidos com menos votos do que os obtidos por Hillary Clinton, abrindo caminho a apelos para uma revisão do sistema eleitoral norte-americano.

Na quarta-feira à tarde, a candidata democrata à Casa Branca recolhera mais cerca de 200.000 votos que o multimilionário populista – 59.689.819 contra 59.489.637 -, uma gota de água considerando os cerca de 120 milhões de boletins de voto depositados nas urnas das presidenciais, mas que lhe permitirá, contudo, sublinhar que obteve maior aprovação do eleitorado.

Se se tratasse de um escrutínio por sufrágio universal, a ex-primeira-dama teria sido eleita para a Casa Branca com 47,7% dos votos, contra os 47,5% de Trump.

Mas, nos Estados Unidos, são os grandes eleitores conquistados estado a estado que, somados, dão a vitória final e, dessa forma, o triunfo de Donald Trump foi esmagador - 290 votos eleitorais contra os 228 de Hillary -, mais do que os 270 necessários (num total de 538) para se tornar o novo ocupante da Sala Oval nos próximos quatro anos.

Para Robert Schapiro, professor de Ciência Política na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, deveriam levantar-se muitas vozes para exigir uma revisão deste “sistema eleitoral abstruso”.

“Poderá haver reivindicações, mas elas acabarão por desaparecer”, sustentou, sublinhando que uma alteração ao modelo do colégio eleitoral obrigaria a uma alteração da sacrossanta Constituição dos Estados Unidos, uma tarefa delicada.

“Isto (este resultado] questiona até que ponto é que o nosso sistema é democrático”, reconheceu, todavia.

Antes desta vitória eleitoral de Donald Trump, outro republicano, George W. Bush, venceu as presidenciais, em 2000, contra o democrata Al Gore, embora tenha sido o candidato menos votado: Al Gore obteve 48,4% dos votos e Bush apenas 47,9%.

Este cenário poderá mesmo tornar-se a regra, considerou Robert Schapiro.

Se a regra de “uma pessoa = um voto” é um pilar da democracia, prosseguiu, o sufrágio indireto muda as regras do jogo.

Em cada um dos 50 Estados norte-americanos, bem como na capital federal, Washington D.C., os votos traduzem-se em grandes eleitores, cujo número varia em função da população de cada estado.

Ganhar, por exemplo, na Califórnia, o Estado mais populoso, garante 55 grandes eleitores ao vencedor, mesmo que esse resultado não traduza o voto popular.

Na atual situação, e sem passar por uma revisão constitucional, os Estados poderiam adotar, ao nível estadual, leis para atribuir os seus grandes eleitores ao candidato que obtivesse mais sufrágios ao nível nacional. Até agora, este tipo de iniciativa ainda não produziu resultados.


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