Três projetos nacionais tentam mobilizar portugueses a regressarem ao mar


 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Mar de 2015, 18:14

O responsável pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental Portuguesa afirmou que estão em curso três projetos nacionais para tentar mobilizar os portugueses "a regressarem ao mar", que têm obtido adesão elevada.

 

“Os indicadores de adesão são bastante elevados. Nós temos milhares de alunos que já aderiram a esses projetos e centenas de professores que estão a ensinar também o mar”, afirmou à Lusa Aldino Santos de Campos, à margem da abertura da segunda edição do Mestrado Erasmus Mundus em Ordenamento do Espaço Marítimo, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.

Aldino Santos de Campos estima que em 2016 as Nações Unidas analisem a proposta de extensão da plataforma continental portuguesa apresentada em 2009, que caso seja aceite fará com que Portugal passe a ter um território marítimo 40 vezes superior ao terrestre.

Atualmente, há projetos de 76 países a aguardar análise pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (ONU) e Portugal apresentou a sua proposta em 44.º lugar, em maio de 2009.

A proposta portuguesa para extensão dos limites exteriores da plataforma continental para além das 200 milhas marítimas prevê que Portugal ganhe mais de dois milhões de quilómetros quadrados, perfazendo um total de quase quatro milhões de quilómetros quadrados de área sob soberania nacional.

Aldino Santos de Campos considerou que Portugal está “no caminho certo, mas há ainda muito a fazer” ao nível de vocacionar as novas gerações para tirarem partido desse bem", acrescentando que “se as pessoas forem educadas para ter um certo comportamento reagem melhor aos desafios”.

Segundo explicou, os projetos tentam motivar as novas gerações a deixarem de ficar em terra, a contemplarem o mar e passarem de facto a trabalhar no mar.

Em janeiro, no parlamento, Aldino Santos de Campos defendeu que Portugal "tem de construir desde já as oportunidades" que pode retirar da sua plataforma continental, mas admitiu que os potenciais são ainda desconhecidos. O principal problema é a profundidade.

"A nossa plataforma é extremamente profunda, com profundidade média de 3.700 metros. A do Mar do Norte é de 30 metros", exemplificou.

Na segunda edição do mestrado em Ordenamento do Espaço Marítimo, que hoje arrancou na cidade de Ponta Delgada, participam 17 alunos, todos estrangeiros, o que faz “verdadeiramente as Nações Unidas numa sala”.

“Não tem nenhum português. Estranhamente, nem na primeira edição [15 alunos], nem nesta tivemos candidaturas de portugueses”, revelou a coordenadora do mestrado na Universidade dos Açores, a professora Helena Calado, que admitiu que tal tenha a ver com falta de divulgação em Portugal.

O Mestrado Erasmus Mundus em Ordenamento do Espaço Marítimo foi criado por um consórcio de três universidades europeias, designadamente a Universidade dos Açores (Departamento de Biologia), a Universitá IUAV di Venezia (Faculdade de Planeamento) e a Universidade de Sevilha (Departamento de Geografia Humana) e visa preparar especialistas capazes de desempenhar funções em instituições públicas e também como profissionais independentes.

Helena Calado adiantou que o mestrado, cujo primeiro semestre decorreu em Sevilha (Espanha), “é muito exigente”, porque obriga os alunos, todos com bolsa, a viajar muito.

Após o semestre na Universidade dos Açores, os alunos farão um estágio e terminarão o mestrado em Veneza (Itália).

 


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