Sonae recebe "luz verde" para comprar Carrefour

Sonae recebe "luz verde" para comprar Carrefour

 

Lusa/AO online   Economia   10 de Dez de 2007, 14:33

A "luz verde" da Autoridade da Concorrência à compra da Carrefour Portugal pela Sonae Distribuição permite avançar um investimento de 662 milhões de euros, mas exige reduzir área de venda, e alienar, pelo menos, três unidades da área alimentar.
     A Sonae Distribuição anunciou hoje ter recebido da Autoridade da Concorrência uma notificação com a sua "decisão provável" de "não oposição" à compra da Carrefour Portugal.

    Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa portuguesa explica que a "decisão provável consiste na não oposição à aludida concentração, acompanhada da imposição de condições e obrigações destinadas a garantir o cumprimento de um conjunto de compromissos assumidos pela Sonae Distribuição SGPS".

    Fonte da Autoridade da Concorrência confirmou que o “projecto de decisão” relativo a esta operação de concentração foi enviado por fax para as partes interessadas.

    Os envolvidos têm agora 10 dias úteis para fazer os últimos comentários, após o que será tomada a decisão final, acrescentou a fonte da Autoridade da Concorrência.

    No final de Julho, a Sonae Distribuição anunciou o negócio da compra de 12 hipermercados Carrefour num investimento de 662 milhões de euros, tendo o seu presidente executivo, Nuno Jordão, esclarecido, na altura, que a expansão do grupo português, líder de mercado, iria ser potenciada com os 11 licenciamentos para projectos de hipermercados que o grupo francês detém.

    Com a concentração das duas empresas, a Sonae Distribuição reforça a liderança do mercado, passando de 25 para 30 por cento de quota, embora Nuno Jordão tivesse explicado que, atendendo ao total de área já licenciada, aquela quota actual passa a 26 por cento, quando todos novos projectos forem concretizados.

    Existem mais de 400 mil metros quadrados autorizados para novos estabelecimentos.

    Assim, tendo em conta os projectos futuros de aberturas, que no caso do Carrefour são 11, a quota de mercado da Sonae Distribuição ficará nos 26 por cento, devido à concorrência de outros grupos, igualmente com licenciamentos já obtidos.

    A Sonae Distribuição é o primeiro grupo do ranking do sector e a Carrefour o sétimo, e entre um e outro estão a Jerónimo Martins, em segundo, a ITMI (Mosqueteiros), Lidl, Auchan e MiniPreço.

    Com os projectos previstos pelo grupo francês, o plano de expansão da Sonae Distribuição, de 600 milhões de euros, até 2009, vai ascender a 900 milhões.

    Os 11 projectos em carteira do Carrefour, dos quais dois já em construção em Valongo e Famalicão, representam investimentos de cerca de 300 milhões de euros.

    Estes estabelecimentos vão passar da marca Carrefour, que desaparece de Portugal, para a marca Continente, embora a Sonae Distribuição não afastasse a possibilidade de adoptar outras das suas insígnias em casos específicos de proximidade de hipermercados.

    Na apresentação do negócio, em Julho, o presidente executivo da Sonae Distribuição garantiu a manutenção dos 2.500 postos de trabalho da Carrefour, e avançou mesmo que, com a expansão prevista, serão necessários mais seis mil trabalhadores até 2009.

    Juntando os planos de expansão dos dois grupos serão criados cerca de dois mil novos postos de trabalho por ano, nos próximos três anos.

    Os 12 hipermercados Carrefour existentes registaram vendas de 443 milhões de euros em 2006 e tinham 2.500 trabalhadores.

    O grupo Sonae Distribuição, com 142 lojas de retalho alimentar e 2,2 mil milhões de euros de facturação, tinha cerca de 25 mil trabalhadores, ocupa o primeiro lugar do ranking do retalho alimentar, com 25 por cento, em termos de área, enquanto o Carrefour está em sétimo lugar, com quase cinco por cento.

   

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