Relatório acusa ex-dirigentes da France Telecom de nada fazerem perante vaga de suicídios


 

Lusa / AO online   Internacional   13 de Mar de 2010, 12:14

Um relatório da inspeção do trabalho que investiga a onda de suicídios de trabalhadores da France Telecom acusa antigos dirigentes de topo de nada fazerem perante as consequências do seu plano de reorganização da empresa.

O documento indica que os últimos suicídios na France Telecom "não são casos particulares" e estão relacionados com a "política de reorganização e gestão posta em marcha a partir de 2006.

O diário francês Le Parisien publica hoje excertos do relatório, enviado para a Procuradoria de Paris, no qual a inspetora Sylvia Catala fala de "assédio moral" no seio do operador francês de telecomunicações.

Segundo a responsável, os mais altos cargos da empresa foram alertados "em diversas ocasiões" por médicos, sindicalistas e inspetores laborais sobre "os efeitos sobre a saúde dos trabalhadores" que estava a ter a política de reorganização da empresa.

Apesar disso, acrescenta o relatório, foram apenas aplicadas medidas para remediar o "sofrimento" do quadro de pessoal.

As acusações dirigem-se, em concreto, contra três diretores, entre eles, o antigo presidente Didier Lombard, recentemente substituído no cargo por Sthéphane Richard.

A inspetora argumenta que os cerca de quarenta suicídios ocorridos nos últimos anos são consequência do "Plan Next", posto em marcha em 2006 para melhorar o rendimento, eficácia e produtividade da empresa.

Esse plano previa a supressão de 22 mil postos em três anos e a transferência forçada de 11 mil trabalhadores.


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