PSD diz que há explorações agrícolas à beira da falência nos Açores

Economia /
António Almeida

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O deputado do PSD no parlamento dos Açores António Almeida disse hoje na Horta, ilha do Faial, que há explorações agrícolas no arquipélago à beira da falência e acusou o executivo regional não pagar a tempo e horas
 

Falando no âmbito de uma interpelação ao Governo dos Açores, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, sobre a "crise" no setor agrícola regional, que está a decorrer na Assembleia Legislativa, o deputado social-democrata alertou para as dificuldades que os agricultores estão a atravessar.

"Há explorações que, neste momento, nem os apoios públicos as safam dos maus resultados", denunciou António Almeida, adiantando que "não se pode esconder esta realidade", embora saiba que as explorações "não são todas iguais" e que os investimentos e custos também são diferentes de caso para caso.

No seu entender, "é obrigatório que o Governo estude a situação das explorações leiteiras e de carne" e as apoie, através do aconselhamento agrícola, a encontrar formas de redução dos custos de produção.

Para o parlamentar, uma das formas de ajudar as explorações agrícolas é através do pagamento atempado dos subsídios comunitários, que lamentou estarem a ser transferidos tardiamente.

"Precisamos de um Governo de palavra, que cumpra prazos de pagamento dos apoios ao investimento, que pague a tempo e horas a todos os agricultores e que não tenha medo de não apoiar o desnecessário a favor do que é essencial", insistiu António Almeida.

O secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, considerou que as dificuldades que o setor agrícola atravessa resultam de uma conjuntura internacional desfavorável, mas destacou que, apesar disso, o setor leiteiro cresceu substancialmente.

"A produção de leite foi, sem dúvida, o setor que mais evoluiu e hoje está mais bem preparado e estruturado", salientou o governante, notando que a produtividade média das explorações, nos últimos quatro anos, "cresceu 30%", muito por força dos investimentos dos agricultores.

O titular da pasta da Agricultura adiantou que o problema que se vive no setor resulta, em parte, da quebra de rendimentos provocada pela descida do preço do leite à produção, situação que entende está na altura de se inverter.

"Apesar das dificuldades decorrentes da conjuntura internacional nos últimos dois anos, verifica-se atualmente sinais positivos nos mercados de laticínios, o que leva a crer que existem condições objetivas para o aumento do preço do leite pago à produção na região", afirmou.

O governante acrescentou que se produzem nos Açores cerca de 600 milhões de litros de leite por ano e que o aumento de apenas um cêntimo por cada litro de leite pago ao produtor teria um impacto financeiro de "seis milhões de euros" na economia regional.

Apesar das explicações de João Ponte, o deputado do PPM, Paulo Estêvão, considerou que o secretário regional da Agricultura e Florestas representa, atualmente, um "problema político", porque já não consegue "controlar" as críticas da lavoura.

O socialista José San-Bento assinalou, porém, que não se podem assacar responsabilidades ao secretário regional pelas dificuldades que possam ocorrer no setor, uma vez que resultam da conjuntura internacional, exemplificando com o embargo de produtos lácteos à Rússia, o fim das quotas leiteiras e de “tendências de diminuição do consumo do leite”.

Do Bloco de Esquerda, Paulo Mendes sustentou, por outro lado, que houve estratégias comerciais de produtores e industriais dos Açores com assinalável sucesso no mercado nacional, como é o caso das "vacas felizes", questionando se este não deveria ser "um exemplo a seguir".

Já João Paulo Corvelo, do PCP, destacou que "aumentaram as dificuldades dos agricultores" da região, devido à falta de estratégia do Governo Regional e à ausência de apoio técnico dos serviços, enquanto Catarina Cabeceiras, do CDS-PP, salientou que os produtos lácteos açorianos debatem-se, atualmente, com problemas de "quantidade e escoamento".