Proteção Civil dos Açores suspende comandante dos bombeiros de Ponta Delgada por 90 dias


 

Lusa/AO Online   Regional   18 de Nov de 2014, 18:38

A direção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada revelou hoje que o comandante da corporação, Emanuel Sousa, foi suspenso destas funções pela Proteção Civil dos Açores, durante noventa dias, na sequência de um processo disciplinar.

"O comandante Emanuel Sousa foi suspenso das funções de comandante, por noventa dias, por despacho do senhor presidente do Serviço Regional de Proteção Civil dos Açores, na sequência de instauração de procedimento disciplinar por este Serviço Regional", informa a direção dos bombeiros de Ponta Delgada, num comunicado.

A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada (AHBVPD) confirma ainda que, na sequência de um processo disciplinar que moveu ao comandante, na qualidade de funcionário desta associação, decidiu despedir Emanuel Sousa.

"Como sucede em qualquer outra organização, a direção da AHBVPD exerceu as suas competências laborais, quanto aos seus trabalhadores, nos termos do Código do Trabalho, não podendo permitir que infrações a deveres laborais não sejam objeto de sanção. A natureza das funções desta associação e a sua prestação ao serviço da comunidade, em situações de urgência e de emergência, impõem rigor nas condutas a todos os seus colaboradores", lê-se no comunicado.

Nos últimos meses, Emanuel Sousa e o presidente da associação, Vasco Garcia, têm protagonizado um conflito.

Em julho, cerca de 50 bombeiros organizaram mesmo uma concentração em parada em solidariedade para com o comandante, tendo então anunciado que apenas fariam missões de socorro em situações urgentes, como forma de protesto, até Vasco Garcia se demitir.

Meses depois, dez bombeiros, cinco dos quais que tinham estado nessa concentração de julho, receberam uma “nota de culpa”, tendo o resultado dos processos disciplinares sido conhecido hoje.

"A direção da AHBVPD deliberou, por unanimidade, aplicar sanções disciplinares aos bombeiros seus trabalhadores, que vão da repreensão registada aplicada a cinco bombeiros, sanção pecuniária aplicada a dois bombeiros, duas penas de suspensão, com perda de retribuição e antiguidade, até ao despedimento, sem indemnização ou compensação, aplicado ao trabalhador Emanuel Sousa – que exerce, também, funções de comandante do Corpo de Bombeiros", revela a associação, no seu comunicado.

Emanuel Sousa, que a Lusa tentou contactar sem êxito, já disse à RTP/Açores que vai recorrer da decisão da direção dos bombeiros para as instâncias judiciais e considerou estar a ser vítima de uma "perseguição" por parte de Vasco Garcia, sublinhando a diferença da sanção que lhe foi aplicada em relação aos restantes membros da corporação que também foram alvo de processos.

Fonte da corporação já tinha confirmado à Lusa as sanções aplicadas aos dez bombeiros, adiantando que, "apesar destas represálias, o pessoal continua unido”, que todos vão recorrer do resultado dos processos disciplinares e que estão já recolhidas as 100 assinaturas necessárias de sócios para convocar uma assembleia-geral extraordinária, com o objetivo de destituir Vasco Garcia.

A Lusa tentou contactar a Proteção Civil dos Açores, para obter mais esclarecimentos sobre a situação na corporação de Ponta Delgada, mas não obteve resposta até ao momento.



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