Procura de português nas escolas dos EUA tem crescido


 

Lusa/AO online   Regional   4 de Jul de 2014, 19:11

O ensino do português nos currículos das escolas norte-americanas tem crescido e não é apenas procurado pelos lusodescendentes, mas as comunidades emigrantes têm de ser mais exigentes, defendeu um professor de português nos EUA.

 

"A sociedade em que nós estamos inseridos, onde pagamos os nossos impostos, também tem responsabilidade. Se tem o francês, se tem o espanhol, se tem o alemão, eu também sou contribuinte e quero português", frisou o professor açoriano Diniz Borges, emigrante na Califórnia, EUA.

Diniz Borges, que faz parte da organização do XXII Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, falava, em declarações à agência Lusa, à margem do evento, que arrancou hoje na Praia da Vitória, na ilha Terceira.

Para o professor, apesar de as comunidades portuguesas nos Estados Unidos e no Canadá já terem mais poder político do que as primeiras gerações de emigrantes, ainda lhes falta "exigir mais localmente".

Segundo Diniz Borges, o ensino de português é também cada vez mais procurado por outras comunidades, sobretudo pelos latino-americanos, que ficam, desta forma, habilitados a falar as três línguas predominantes no continente americano: inglês, português e castelhano.

"Para além de promovermos a língua para os nossos lusodescendentes, temos de vendê-la como uma língua internacional, que os nossos filhos e os nossos netos têm direito a aprender, mas também os outros deveriam aprender, porque é uma língua com pujança", defendeu, lembrando que o português é a sexta língua mais falada no mundo.

Por outro lado, o ensino do português nas escolas comunitárias, que dão aulas à noite, tem diminuído, o que, segundo Diniz Borges, se justifica pela maior integração das comunidades no país de emigração.

"As pessoas, ao tornarem-se parte integrante da sociedade americana, já não estão muito envolvidas no movimento associativo português", salientou.

Enquanto há 30 anos os filhos dos emigrantes não estavam envolvidos nas atividades extracurriculares em inglês, hoje "já têm muitos afazeres" para além da escola e não têm tempo para frequentar aulas de português.

"As pessoas prezam muito a sua identidade portuguesa e o seu legado cultural, talvez não prezem assim tanto a língua, mas querem que os seus filhos aprendam algum português, dentro da carga horária escolar", explicou o professor lusoamericano.

A Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá (APPEUC) é composta atualmente por 200 membros, mas Diniz Borges admitiu que o número de professores de português nos dois países seja ainda maior.

Cerca de duas dezenas de docentes participam no XXII Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, que decorre na ilha Terceira.

Para além da formação sobre o ensino do português como língua estrangeira, os participantes vão debater a presença da língua portuguesa nos currículos das escolas norte-americanas e canadianas.

Também presente na cerimónia de abertura do encontro, o diretor regional das Comunidades dos Açores, Paulo Teves, deixou um apelo para que a língua portuguesa continue a ser "preservada e divulgada", lembrando que faz parte do património do país.

Paulo Teves frisou ainda que as instituições das comunidades açorianas residentes no estrangeiro têm conseguido "sensibilizar os jovens açorianos e açor-descendentes para a importância de conhecerem e aprofundarem os seus conhecimentos sobre a língua portuguesa e o património cultural dos seus ancestrais".


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