Preço do leite pago ao produtor "é residual e envergonha"

Preço do leite pago ao produtor "é residual e envergonha"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   16 de Jun de 2017, 17:42

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, disse que o preço do leite pago ao produtor nos Açores é residual e envergonha quem produz um bem "com tanta qualidade".

 

“O preço pago do leite ao produtor é residual e envergonha-nos a todos nós que produzimos um bem com tanta qualidade”, afirmou Jorge Rita, na inauguração da Feira Agrícola Açores que se prolonga até domingo no parque de exposições de Santana, em Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande.

Segundo o dirigente, “à produção compete ter vacas boas, produzir com qualidade”, mas tal “não tem sido valorizado pelas indústrias na região”.

“Por isso, ainda hoje estamos a falar de diferenças de preço médio”, declarou, referindo que na Europa o preço do leite pago ao produtor aumentou “seis, sete cêntimos” e a nível nacional dois cêntimos.

Jorge Rita adiantou que nos Açores aumentou “um cêntimo, de forma tímida e envergonhada” por parte das indústrias, sendo que a expectativa dos produtores é que, “nos próximos dias, haja um aumento do preço do leite”.

“Nos próximos tempos tem de haver forçosamente uma subida do preço do leite”, frisou, considerando que o arquipélago tem “o leite mais mal pago da Europa”.

Os Açores, com 2,5% do território nacional, produzem cerca de 30% do leite do país e 50% do queijo.

Ao Governo Regional, liderado por Vasco Cordeiro, o presidente da Associação Agrícola de São Miguel alertou que se ajudar mais o setor agora “terá um problema muito menos grave, do que se tiver de ajudar depois”.

“As pessoas dizem e têm razão, este é um setor importante, somos aquele que mais pedimos ajudas do Governo [Regional] e o Governo também faz gala e todos fazem gala quando ajudam (…). Mas ninguém apresenta as contas de quanto é que a lavoura dá em termos de rendimentos ao Governo”, assinalou.

No início do discurso, Jorge Rita fez reparos à ausência, na inauguração da Feira Agrícola Açores, do presidente do executivo regional, cuja presença foi anunciada, mas um imprevisto determinou que não comparecesse.

“(…) Todos nós contávamos com a presença do senhor presidente e era um sinal inequívoco da parte dele também que está do lado do setor e que hoje poderia até anunciar algumas das medidas daquelas que têm sido reclamadas, de forma justa, de forma persistente, de forma consistente e com a razão do nosso lado”, adiantou Jorge Rita.

Na cerimónia, o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, explicou que Vasco Cordeiro “era suposto” estar no seu lugar, admitindo que o chefe do executivo “estaria muito mais confortável a assistir aqui deste lado”, mas uma situação de última hora impediu a sua presença.

“O facto de ele não estar não quer dizer que o Governo tenha menos empenho e menos entrega e dará menos importância ao setor agrícola”, acrescentou João Ponte, que destacou o certame como “um excelente momento para valorizar, promover e dignificar” o que de melhor tem o mundo rural e setor agrícola açorianos.

O governante referiu que a feira é “mais um testemunho que o Governo Regional está e estará sempre ao lado dos agricultores, sobretudo nesta altura particularmente desafiante para a agropecuária e em particular para o setor leiteiro”.

João Ponte destacou a evolução “impressionante” do setor na região, acreditando que a agricultura continuará a ter um “futuro auspicioso”, e defendeu que o foco deve estar no essencial, “no trabalho conjunto, para ser possível aumentar a competitividade do setor e, de forma justa e equilibrada, o rendimento de todas as partes envolvidas”, da produção à distribuição.

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