Portas disponível para deixar de ser número dois em executivo que integre PS

Portas disponível para deixar de ser número dois em executivo que integre PS

 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Out de 2015, 07:21

O presidente centrista manifestou-se hoje disponível para deixar de ser o número dois do Governo num executivo que integrasse PSD, PS e CDS, e argumentou que há um "risco democrático" de que governe quem perdeu as eleições.

"Se eu tivesse de deixar de ser o número dois nesse governo, deixaria", afirmou Paulo Portas, considerando que é "no perímetro" dos partidos que respeitam a União Europeia, o euro e a Aliança Atlântica que devem ser encontrados compromissos, excluindo PCP e BE.

Numa entrevista à TVI, o também vice-primeiro-ministro acusou o secretário-geral do PS, António Costa, de falta de humildade e alegou existir "um risco democrático" de que governe quem não ganhou as eleições.

De acordo com Paulo Portas, a eventual formação de um executivo "a três" "não é uma questão de lugares", mas "de governo, de confiança", declarando que "numa coligação PSD, PS, CDS, com certeza" que "não teria a segunda posição" que detém atualmente, fazendo prevalecer "o interesse nacional".

Na véspera de o Presidente da República começar a ouvir os partidos com assento parlamentar, o vice-primeiro-ministro disse que "é preciso respeitar as competências constitucionais" do Chefe de Estado, mas deu a sua opinião de que Cavaco Silva deve mandatar o presidente do PSD a formar governo, "de acordo com uma regra elementar de democracia, que quem ganhou deve ter mandato para governar e formar governo".

A 6 de outubro, dois dias depois das eleições legislativas, o Presidente fez uma comunicação em que anunciou ter encarregado o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de realizar "diligências com vista a avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do país".

Para Paulo Portas, o povo português, seja de esquerda, direita, centro ou abstencionista "não compreende que quem ganha vá para a oposição" e considerou que as negociações do PS com PCP e BE para encontrar uma alternativa de governo dividem os portugueses e viram "a democracia do avesso".

"É um risco democrático", defendeu, reiterando que quem votou na coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), sente que "o seu voto foi sequestrado e está em marcha uma operação para que quem ganhou não possa governar".

O líder centrista acusou também António Costa de não ter apresentado uma efetiva contraposta ao designado "documento facilitador de um compromisso entre a coligação Portugal à Frente e o PS para a governabilidade de Portugal", sublinhando as diferenças registadas pelo secretário-geral do PS após as reuniões com PSD e CDS e os encontros que manteve com PCP e BE e que deram origem a reuniões setoriais.

"Há limites para a teatralidade na política", declarou.

Paulo Portas questionou ainda a "humildade política" de António Costa, por não ter colocado o lugar de secretário-geral do PS à disposição após perder as eleições, não ter feito contrapostas à coligação, não ter aceitado integrar um governo "a três" nem acedido a apoiar o programa de Governo e o primeiro Orçamento do Estado de um executivo de sociais-democratas e centristas.

"É muito pouca humildade para quem perdeu", concluiu.

 

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