PME internacionalizadas reforçam aposta no estrangeiro em 2018

PME internacionalizadas reforçam aposta no estrangeiro em 2018

 

Lusa/AO online   Economia   14 de Fev de 2018, 09:27

Mais de metade das pequenas e médias empresas inquiridas num estudo da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa reporta um crescimento da atividade internacional em 2017, 63% antecipa novo reforço este ano e 43% vai investir mais na internacionalização.

De acordo com as conclusões do segundo inquérito do Observatório InSight sobre a internacionalização das empresas portuguesas - a apresentar hoje e realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) em colaboração com o E-Monitor, junto de cerca de 600 Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas internacionalizadas - 57% dos inquiridos declararam crescimento no decurso do exercício de 2017, sendo que 26% afirmaram mesmo que esse crescimento foi superior a 10%.

O crescimento registado em 2017 está, para cerca de 57% das empresas, em linha com o perspetivado, enquanto para 11% ficou “acima ou muito acima das suas expectativas”.

O ano 2018 “perspetiva-se igualmente positivo”, com 63% das empresas a anteciparem um crescimento da atividade internacional em 2018 e 43% da amostra a declarar que “vai aumentar o seu nível de investimento no processo de internacionalização”.

Do inquérito InSight resulta ainda que um “expressivo conjunto” de PME internacionalizadas revela uma “interessante capacidade de abrir novos mercados”: 45% dos inquiridos entrou em pelo menos um novo mercado ao longo de 2017 e 20% iniciou atividade em duas a cinco novas geografias.

Uma tendência que, destaca, “resulta extremada para 2018”, ano em que 65% dos inquiridos espera aumentar o número de mercados onde atua e 19% pretende entrar em pelo menos duas novas geografias.

“Percebemos gestores empenhados em criar condições para que o crescimento seja sustentável a médio prazo, focados em aumentar a qualificação dos recursos humanos afetos à atividade internacional (45% dos inquiridos), em aumentar a dimensão dessas equipas (39%), em otimizar processos produtivos para manter competitividade de produtos e serviços (43%) e até em aumentar capacidades produtivas instaladas (34%)”, lê-se na síntese do trabalho.

Segundo a CCIP, esta dinâmica de crescimento internacional “é estruturalmente alavancada por um conjunto de ferramentas e fatores que tornam a internacionalização mais fácil, menos onerosa e com riscos passíveis de ser geridos”: a aposta em feiras, a digitalização da economia e estratégias de mitigação dos riscos financeiros (como o recebimento antecipado/pagamento no ato da encomenda para obviar riscos de cobrança).

Os resultados do inquérito InSight apontam ainda que 83% das empresas já se internacionalizaram há mais de três anos e 37% há mais de uma década, representando a atividade internacional mais de metade do volume de negócios para cerca de 47% das empresas e mais de 80% da faturação para 25% dos inquiridos.

Para além disso, 57% da amostra afirmou já ter participado com ‘stands’ em feiras internacionais especializadas e 40% já integrou missões empresariais, sendo que para 83% dos gestores inquiridos o digital é garante de eficiência e rapidez.

Neste contexto, 96% apontam o ‘e-mail’ como “o canal privilegiado” para conduzir a atividade internacional das suas empresas, ao qual se juntam novas plataformas digitais como o ‘WhatsApp’, usado por mais de 50% dos inquiridos nas suas atividades empresariais.

Analisando os mercados onde estão presentes as PME portuguesas, o estudo destaca a Europa como “a macrorregião geográfica onde está presente/atua o maior número de empresas”, cerca de 80%, seguindo-se a África, com 58%, e as Américas, com 44%.

Em 2017, Espanha foi o mercado que, para 28% das empresas, mais contribuiu para o crescimento da atividade internacional, surgindo depois França para 25%, Angola para 21%, Alemanha para 15% e o Reino Unido para 14%.

A Europa voltou a ser o mercado onde mais empresas entraram nos últimos 12 meses (42% das inquiridas abriram aqui novos mercados), sendo igualmente aquele onde maior número de empresas pondera entrar em 2018 (38%), seguido da América (procurada por 20% dos inquiridos em 2017 e planeada por 21% em 2018).

Por país, o inquérito revela que cerca de 9% das empresas inquiridas afirmam ter entrado nos EUA em 2017, havendo 8% que pretendem apostar nesse mercado em 2018, destacando-se ainda nos últimos 12 meses a abordagem feita a Espanha, Reino Unido, Brasil, França, Alemanha, Marrocos, Canadá e Colômbia.

Este ano, as PME inquiridas pretendem focar-se, sobretudo, nos EUA, Alemanha, França, Brasil, Reino Unido, Espanha, Moçambique e China.

O estudo InSight desenvolveu ainda um novo indicador sobre a confiança dos gestores das PME relativamente à atividade internacional da sua empresa - o índice ‘Mood’ - que revelou que 49% dos decisores estão com ‘mood’ otimista, 41% com um ‘mood’ neutro e 10% pessimista.

O segundo Inquérito anual do InSight foi realizado ‘online’ entre 24 de outubro e 25 de novembro de 2017, tendo sido respondido por 761 empresas do painel E-Monitor, das quais 598 internacionalizadas/exportadoras.

A amostra integrou 40% de empresas industriais, 20% de empresas de serviços e 11% de empresas de comércio, sendo 37% da região de Lisboa, 22% do Centro, 13% do Porto, 14% de Setúbal, Alentejo e Algarve, 13% do Norte, 0,3% da Madeira e 0,2% dos Açores.

Das empresas inquiridas, 27% faturam menos de 249 mil euros, 19% entre 250 mil e um milhão de euros, 41% entre um milhão e dois milhões de euros, 27% entre dois milhões e dez milhões e 9% entre dez milhões e 50 milhões de euros.



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