PCP preocupado com o futuro dos portugueses na Base das Lajes

PCP preocupado com o futuro dos portugueses na Base das Lajes

 

Lusa/AO online   Nacional   28 de Nov de 2012, 16:08

O deputado do PCP António Filipe manifestou esta quarta-feira preocupação face ao futuro dos postos de trabalho dos portugueses na Base das Lajes, embora rejeite a presença das Forças Armadas dos Estados Unidos em território nacional.

A posição de António Filipe foi transmitida à agência Lusa, depois de confrontado com a intenção norte-americana de reduzir a sua presença militar na Base das Lajes, na Ilha Terceira, dos Açores.

"Compreendemos a inquietação que existe neste momento na ilha Terceira face ao impacto que a decisão [norte-americana] terá na sua economia. Esse é um dado objetivo e é independente da posição de princípio sobre a Base das Lajes", declarou o vice-presidente da Assembleia da República.

Depois, António Filipe referiu qual a posição de princípio do PCP sobre a presença militar dos Estados Unidos em território nacional.

"Para o PCP, obviamente que não é motivo de congratulação que a Região Autónoma dos Açores sirva de plataforma para as Forças Armadas dos Estados Unidos, tendo em conta o papel que desempenham a nível mundial. São de facto uma ameaça à paz mundial e essa base funciona ao serviço de uma aliança político-militar de natureza agressiva", disse.

Interrogado pela agência Lusa se, para o PCP, pode então ser encarado como um fator positivo a projetada redução da presença norte-americana na Ilha Terceira, nos Açores, António Filipe respondeu: "Não digo isso".

"Obviamente que do ponto de vista da economia da região há impactos negativos pela presença de pessoas (norte-americanos) que dinamizam a economia da região, mas essa é um decisão unilateral norte-americana. A preocupação é maior relativamente aos postos de trabalho dos portugueses que trabalham na Base das Lajes", contrapôs o deputado do PCP.

António Filipe salientou depois que, face à situação existente na Ilha Terceira, o PCP "tem todo o interesse em defender a economia regional, designadamente os postos de trabalho dos portugueses que trabalham na base".

"Não é isso neste momento aquilo que está em causa, mas isso não significa que não possa estar efetivamente em causa dentro de algum tempo. É também de registar a forma incorreta como as autoridades norte-americanas têm tratado o problema dos trabalhadores portugueses, cuja estatuto profissional está a degradar-se ao longo dos anos por decisão unilateral dos Estados Unidos e sem que haja a reação que se impunha, quer da parte do Governo português, quer da parte do Governo Regional dos Açores", afirmou ainda o deputado comunista.

Como solução a médio e longo prazo para a Base das Lajes, António Filipe defendeu a necessidade de uma ampla discussão nacional e regional.

"Dada a desvalorização que os Estados Unidos têm vindo a fazer em relação à Base das Lajes, que poderá ter um impacto muito significativo na economia da região, faz todo o sentido que haja um debate nacional e regional sobre alternativas. Tendo em conta o futuro, deve discutir-se as alternativas para que a Região Autónoma dos Açores, em particular a Ilha Terceira, não fique tão dependente da presença militar norte-americana", acrescentou.



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